Depoimento: Maria Cristina
" Para toda a perda existe ganho, convivo há muitos anos com minha bipolaridade, aprendi que não posso esquecer do lítio, jamais.
Desde então posso ter uma vida normal, claro que um bipolar pode e deve ter uma vida normal, basta para isto controlar seus remédios, nada diferente de um hipertenso ou diabético bem se for inúmeras aqui vai faltar espaço para doenças que precisam ser controladas.
A diferença é que nós os bipolares podemos sim com uma vida normal, o que não dá para nós é uma vida comum.
Não sei se alguns vão concordar comigo, mas sinto, mesmo completamente equilibrada dosando meu lítio no sangue, mais força de vontade viva mais intensamente, penso mais rápido que meus funcionarios, e colegas tudo com um prazer muito grande e um empenho, disciplina. Penso que a bipolaridade não foi nem de longe algo ruim DEPOIS DE TRATADA devidamente."
Maria Cristina
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Um pouco da minha história
Saudações a todos
Meu nome é Juracy e lendo as histórias postados nesse blog, me veio o
desejo de compartilhar com os amigos meus pedações ou cacos que estou ainda
recolhendo, a despeito de ter sido diagnosticado há mais de cinco anos com o
transtorno.
Negro, de família muito simples, pais iletrados, fui educado na
periferia de Vitória, no Estado do Espírito Santo, comecei a carreira
profissional limpando prateleiras em supermercados, quando aos 17 anos decidi
me casar. Sem concluir o ensino médio, vivendo uma vida bastante difícil,
resolvi retomar os estudos.
Com a ajuda de amigos nos empréstimos de livros e compreensão de algumas
matérias, consegui concluir o segundo grau, como era chamado à época. Visando
melhorar a renda, submeti ao concurso público para soldado da polícia militar,
quando fui aprovado e exerci a atividade policial por dois anos, pois percebi
que caso continuasse os estudos poderia alcançar outras possibilidades.
Em 1990 fui aprovado no concurso da Justiça Federal do Estado do Rio de
Janeiro, onde trabalhei por 04 anos e depois fui removido para a Justiça
Federal do Espírito Santo.
Em 1994, ingressei na Universidade Federal do Espírito Santo, no curso
de direito, tendo concluído em 1999.
Casado, com três filhos, bem sucedido no serviço público, pois passei a
exercer cargos importantes na Justiça Federal, como supervisor e depois diretor
de secretaria do juízo, retornei a me dedicar novamente aos estudos.
Em 2004 fui aprovado em quarto lugar no concurso de Juiz de Direito do Estado
de Rondônia. No mesmo ano, fui aprovado no concurso de Juiz de Direito do
Estado do Espírito Santo.
Iniciei a judicatura no interior do Estado, bem como na docência do
ensino superior. Após 4 anos de muito trabalho e dedicação, já que a função se tornou
mais importante do que minha própria vida e minha família, começou a surgiu um
comportamento de descontrole. Começou pela perda do sono, depois veio a
hipersexualidade, e por fim a compulsividade para compras. Comecei a me
envolver com qualquer tipo de pessoa. A mesma comarca, onde os jurisdicionados
me considerava um magistrado brilhante, começaram a me recomendar a
corregedoria, pois não havia limites no meu comportamento. Perdi completamente
o controle social e a percepção da realidade. Perdi minha identidade. A
situação ficou tão grave que não resisti a uma tentativa de suicídio. Quando
notei que havia alguma coisa de errado, procurei uma psicóloga. Foram vários
meses tentando descobrir o que estava acontecendo. Os medicamentos receitados
somente pioravam a situação e em 2009 fui diagnosticado com o TAB. O mundo caiu
pra mim.
Recusei aceitar o diagnóstico, mas a desorganização social era tamanha
que não havia margem de dúvida sobre a veracidade do laudo. Iniciei o
tratamento, mas já era tarde, o lastro condutal impedia continuar a atividade
jurisdicional.
Foi inevitável a apuração de processo administrativo disciplinar. Antes
de sua conclusão, fui aposentado por invalidez, em decorrência do transtorno.
Me submeti ao tratamento, com muita responsabilidade, pois o desarranjo
social foi muito grave.Consegui me estabilizar um ano depois do diagnóstico.
Após o período de estabilização, fiz duas especialização e um mestrado.
Fui ordenado a uma função eclesiástica (a fé me fez sobreviver a tudo
isso).
Nesse período fui reparando os danos passíveis de acertos, como as
dívidas contraídas. Mas não escapei do preconceito.
Luto com o estigma, o Tribunal de Justiça não reconhece que uma pessoa
em meio a um surto psicótico é capaz de fazer tantas ocorrências sem inibição
social.
Estou estabilizado há 5 anos, mas ainda não consigo lidar com os
conflitos internos da tristeza, da angústia e da dor.
Apesar de ter preservada minha capacidade laborativa, não posso
trabalhar por força de incompreensão sobre a doença; Meus pares não aceitam que
o transtorno é capaz de trazer tantos danos sociais a seu portador. e se
recusam a debater o assunto, enquanto luto para provar o que aconteceu à época.
Fiz diversas perícias com médicos renomados no Brasil sobre o TAB.
A todo tempo, o sentimento de desistência toma conta da minha alma. Mas,
no que pese a força desse sentimento, curvo-me a pensar nas outras pessoas que
sofrem do mesmo dilema. Se não lutarmos, o estigma continuará sendo um fantasma
invencível.
Fui exposto na mídia, além de impor intenso sofrimento a minha família,
já que os fatos não foram poupados. No entanto, ainda estou resistindo, com
apoio de poucos.
Por fim, creio que a maior superação está no fato de não precisarmos do
anonimato. Temos que nos mostrar, temos um transtorno, que não reivindicamos,
mas ocorreu como fato da vida, como acontece com a pessoa cardíaca, diabética
etc... Precisamos nos unir em torno da informação, da aprovação do crime de
"psicofobia" (preconceito a qualquer tipo de transtorno), cujo
projeto de lei está em curso no senado federal.
Tenho 47 anos de idade, 30 anos de casado, três filhos, e sou bipolar.
Conquanto tenho uma mente inquieta, acredito que temos o direito de sermos
respeitados nas nossas diferenças, bem como de não sermos etiquetados.
Juracy Jose da Silva
Muito Bonita a História de Superação da Márcia, além de enfrentar a Bipolaridade teve que enfrentar o Câncer também!
Meu nome é Marcia Lopes, Enfermeira, especialista em Saúde da Mulher
trabalhei por 25 anos na UFRJ no Hospital Escola São Francisco de Assis.
Prefiro dizer que esta é a minha história pois existem várias questões em minha
vida e eu não sou uma doença. Sou uma pessoa com meus desejos, anseios e sonhos
e por um acaso convivo com a bipolaridade desde 1990 e tive câncer de
mama em 2010 duas situações extremas na vida de uma pessoa. Na bipolaridade
tive várias crises e inclusive internações, não aceitava tomar medicação e por
ser da área da saúde tudo se tornava mais difícil tive apoio familiar mas em
especial da minha mãe que esta comigo em todas as horas antes do CA tive uma
crise e depois tive outra e fui removida do Pinel para um hospital público pois
estava com infecção urinária e respiratória quase morri, há mais ou menos 4
anos não tenho nada e vivo com fé e esperança sempre. Sou uma pessoa que gosto
de música, poesia , samba, ler, teatro, adoro me relacionar com as pessoas não
sou chegada ao isolamento. Tive depressão uma vez na época do CA. Faço
parte de um grupo no yahoo que hoje em dia está um pouco perdido pois nossa
coordenadora morreu após metástase.
Mente Inquieta:
Márcia você já está a quatros anos estável. O que você
acha que te ajudou a adquirir essa estabilidade? Ter que combater o câncer te ajudou?
Márcia: Acredito que o
fato de ter ficado com CA tenha sido um fator importante para eu lutar e sempre
discuto com meu psiquiatra passei a ver a bipolaridade de outra forma e hoje
tenho um controle maior sobre minha vida e o fato de ter noticias de pessoas
com as quais convivo que também tem a doença me fortalece, pois percebo como
pude amadurecer através dos anos.
O fato de ser uma frequentadora assídua de boas rodas de samba também me
faz muito bem e também ler completa a minha vida. E a vontade de viver!
Esta é a minha história. Não faço questão de ser anônima.
Esta sou eu. Estou no face
Márcia Lopes....
Relato de um Bipolar
"Olá!
Adorei teu blog e me identifiquei com várias coisas nele.
Fiquei tentado a te dar meu relato.
Tenho 25 hoje, fui diagnosticado no final de 2014, sofri com depressões
a vida inteira. Foi muito dolorido.
Minha primeira vez com um psiquiatra foi aos 18, após um surto psicótico
e um haldol intravenoso apresentei alergia aos componentes (sintomas
extrapiramidais). Fiquei na UTI 3 dias por causa desses efeitos e até hoje, meu
corpo não suporta antipsicóticos.
Voltando, tomei citalopram por dois anos e parei por conta própria, pela
primeira vez na vida as coisas fizeram sentido na minha vida. Aprender foi
fácil, as coisas fluíam simplesmente. Sofri demais com problemas de aprendizado
em algumas áreas (matemática foi impossível), enfim, comecei a viver após ter a
adolescência "perdida".
Após quatro anos, depois de formado, casado, trabalhando e com filho,
talvez a carga emocional fosse grande o suficiente para que as brigas no
trânsito, as vezes que esfolei a testa na parede de tanto bater a cabeça por
causa de raiva comigo mesmo, ou o TOC de ficar arrancando pele do umbigo (todas
essas coisas "gerenciáveis"), apareceu um novo sintoma:
independentemente da hora ou razão, as pessoas ao meu redor eram todas
imaginadas como morrendo, atropeladas, acidentes grotescos. A morte sempre
presente, mesmo sem depressão, a meu ver.
Voltei em 2014 à mesma psiquiatra que me "curou" quando do fim
da adolescência e voltei ao bom e velho citalopram. Foi então que surgiram os
problemas de sono, demorava mais para dormir, acordava mais durante a
madrugada, a ansiedade em níveis estratosféricos e a idealização da morte
andando sempre de mãos dadas com meu ego.
Até que em outubro de 2014, após um episódio de briga no trânsito no
mesmo momento que eu estava claramente eufórico fez com que minha mulher fosse
comigo à psiquiatra. E assim comecei a tomar lítio, foi um susto grande.
Antes do lítio dar seu primeiro "kick-in", tomando a dose mais
baixa prescrita, veio meu primeiro episódio maníaco/hipomaníaco/eufórico. Durou
uma semana e pouco. Nunca tive uma libido tão poderosa, era um monstrinho
sexual. Tudo era novo e alegre, eu tinha energia, força. Até que num determinado
momento eu era um demônio e decepei meu braço, fazendo pequenos cortes apenas
para ver o sangue escorrer. Por que, afinal, qual demônio não é vermelho?
Voltei ao "normal" em dezembro. Foi um ótimo final de ano,
muito amável e em família. Enquanto isso, eu e minha psiquiatra continuamos
tentando o lítio + o citalopram, que nesse ponto era considerado uma pequena
faca de dois gumes por me ajudar com a ansiedade extrema, mas me deixando
propício a outro episódio.
2015 trouxe muitas coisas novas, e até velhas, como as imagens de
pessoas morrendo, o transtorno pronto pra dar outra guinada, comigo tentando
calcular a velocidade que deveria bater o carro num poste para morrer sem
sentir mais dor do que já sentia por dentro enquanto esse mesmo pensamento trazia
a maior euforia e desejo de viver.
Minha psiquiatra decidiu que era hora de remover o citalopram e
adicionar o aripiprazol. Eu juro que tentei durante duas semanas, tomando
akineton pra controlar os efeitos extrapiramidais. Não adiantou, foi quando
contei a meu superior sobre a doença. Ele foi extremamente receptivo e eu
agradeço a ele pelos dias que tive de sair mais cedo, pois não parava de
tremer.
Esses dias bateram com o começo das minhas férias. Foi uma semana
perdida batendo a cabeça em ponta de faca com o medicamento, outra pra ficar
livre dos sintomas extrapiramidais. E na terceira semana a hipomania batendo à
porta.
Foi quando o lítio ganhou o companheiro que está até hoje, chamado
divalproato de sódio. E foi em duas semanas após tomando os dois medicamentos
religiosamente que eu percebi que os medicamentos não fazem eu ser uma pessoa
diferente. Minha criatividade aflorou, minhas emoções (e a intensidade delas)
são as mesmas. Porém sou eu. Adicionado de 3 segundos de funcionamento pleno do
cérebro antes de fazer qualquer coisa, como chamar alguém pra uma briga ou
comprar algo que vá bagunçar todas as contas do mês em casa.
Eu nunca tinha sido Eu."
Renan
Desabafo sobre minha bipolaridade
Olá, meu nome é Lara, tenho
18 anos e fui diagnostica com Transtorno de Humor Bipolar há mais ou menos um
ano, os sintomas já estavam presentes desde a minha saída da infância e entrada
à adolescência, mas como meus pais consideravam frescura e drama, só fui levada
à sério quando a situação já estava quase impossível de lidar. Quando descobri
que sou bipolar, já na primeira consulta, meu mundo desabou, de repente tudo
que eu sabia e acreditava tinha se tornado incerto, achei ridícula a ideia de
ter que passar o resto da vida dependendo de medicamentos para ficar bem, eu
simplesmente não podia suportar essa ideia, acordava todos os dias pedindo para
ser “normal” e tudo ter sido só um sonho. Meu grande problema sempre foi a
aceitação, não consigo aceitar que tenho um problema e tenho que lidar com
isso. Tive e tenho constantemente vontade de sumir, simplesmente por não
suportar mais ser tão instável. Parece impossível a ideia de suportar que eu
estou bem e 5 minutos depois posso desabar em choro ou explodir com as pessoas
à minha volta. Eu até me acostumei com a parte da explosão, o difícil é a
sensação que vem depois, o sentimento de ser um lixo de pessoa por magoar as
pessoas que me amam, que fazem tudo pra me ver bem. E essa parte é a que sempre
acaba comigo, por conta disso, já tentei cometer suicídio e já fiz muita coisa
pra tentar “fazer meus pensamentos sumirem”. O caso é que eu não consigo lidar
com o transtorno e com a depressão, parece impossível. Também não consigo expor
meus sentimentos com clareza para a minha psiquiatra e sei que só por
conversar, sentiria um peso enorme saindo das minhas costas, mas sempre tive
uma dificuldade enorme pra conversar com as pessoas, dizer as piores coisas, as
que mais me afetam. E em meio a tanto desespero, encontrei esse blog e tive a
ideia de escrever, como um desabafo, na esperança de conseguir me sentir
melhor, de talvez atrair a atenção de alguém que tenha o mesmo problema que o
meu, acho que é o que preciso, afinal, conversar com alguém que entenda
claramente o que sinto, sem considerar drama, frescura ou qualquer coisa nesse
gênero, como todos sempre consideraram.
Lara
TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS (E PROBLEMAS). QUEM ESTÁ NO CONTROLE ?
É bastante comum, em pessoas que levam consigo algum tipo de transtorno, ficarem se questionando se merecem ou o que fizeram para carregar tamanho peso sobre os ombros. Ao invés de persistirem e levar adiante o questionamento, se entregam ao pessimismo de que nunca conseguirão livrar-se dele. Transtorno psiquiátrico (não se assustem com o nome), a gente não se livra, convive e, dependendo de alguns fatores que irei colocar aqui pra vocês, a convivência pode ser muito próxima de uma vida normal, tendo ainda a chance de perseguir os próprios sonhos e de conquista-los.
Isso não é otimismo, é uma possibilidade real.
Quando somos portadores de certa condição psiconeurológica, que de alguma forma compromete (em parte) a nossa vida como um todo, é imperativo analisar o quadro sob 3 (três) faces distintas, para que tenhamos a oportunidade de mensura-lo, para que desta forma possamos descobrir o quanto de nós está sendo comprometido e do quanto ainda podemos dispor, de energia, para manter-nos no controle.
As 3 (três) faces são:
1) O grau de consciência ou de conhecimento, sobre o meu tipo de transtorno;
2) O grau de controle da minha vontade diante deste problema;
3) O meu grau de passividade diante do transtorno.
Estas três condições caminham alternadas, diante deste ou de qualquer outro tipo de problema, neuropsicológico ou não. Eles são termômetros que indicam o quanto estou sendo influenciado ou comprometido em minhas atividades, podendo me dar uma ideia do quanto ainda posso dispor para viver melhor.
Há, dentro de nós, uma energia vital (libido), cuja qual direcionamos em situações que julgamos ser mais relevantes ou, quando neste caso, estamos sendo comprometido por alguma forma de problema médico ou psicológico, comprometendo demasiadamente essa energia, mais em auto questionamentos e pessimismos do que para extrair deste problema, uma forma de não me consumir em demasia, me causando transtornos.
Primeiramente, entender o que exatamente está acontecendo. Porque (sem se culpar) “fui” acometido deste tipo de transtorno e o que posso fazer para que ele não sugue boa parte da energia que preciso para desenvolver meu trabalho, tarefas e minha vida ? Se o nosso carro apresenta um problema repentino, conhecer este problema pode fazer com que eu dê continuidade na minha viagem, com o mesmo carro, sem grandes atrasos.
Segundo, saber o quanto ainda estou no controle da minha vontade, diante deste problema médico e se não estou desprendendo e desperdiçando energia demais em auto lamentações ou pessimismo, criando um verdadeiro desfalque de energia e força, para dar continuidade em tarefas que ficaram suspensas, por conta de algo que julguei ser impossível contornar. Existem recursos médicos e terapêuticos que nos auxilia à reencontrar nossa estabilidade emocional, funcional e produtiva e, se não está dando certo é porque algo está falhando. Admitir que precisa de ajuda não é vergonha alguma.
Devemos nos conscientizar de uma coisa importante: Nossa história, nosso roteiro, já está escrito antes mesmo de nascermos e nele (escrito por Deus, nosso maior roteirista) não prevê que soframos, porém, se estamos passando por algum tipo de provação dolorosa, é porque de alguma forma saímos do roteiro, tomado talvez por demasiado desespero ou pessimismo, que nos impede de retomar nosso “script”. Recomece de onde parou, converse com o “roteirista”, aproveite melhor sua energia e também a Dêle e verá que as coisas vão entrar nos eixos de novo. Não carregamos mais peso do que possamos suportar, fique certo(a) quanto à isso.
Terceiro: Examine o quanto está demasiadamente passivo(a) diante do problema e saiba que boa parte desta energia não está tendo destinação apropriada. Escrever estas palavras não me exime de ter problemas ou sofrimentos; eu os tenho (que também são grandes) como em qualquer pessoa; problemas que poderiam me levar às drogas, depressão, alcoolismo ou mesmo ao suicídio. Apenas eu não deixo que minha energia, seja ela toda comprometida em pensamentos derrotistas e que Deus está comigo no controle, 24 horas e que me lembra disso toda vês que vejo um arco íris no céu, sinal da sua aliança conosco.
Nenhum problema é maior do que o do outro, não devemos competir se o meu problema é maior do que o seu e sim, diminuir minha passividade diante dele, alimentando o controle sobre minha energia, minha vontade e meu desejo de viver bem e cada vês melhor, dentro da minha realidade, que não é mais difícil do que outros, apenas um pouco diferente, mas que depende também de mim para torna-lo ainda melhor.
Se Deus não acreditasse em nós, não nos confiaria essa oportunidade de crescer.
No tamanho do nosso fardo está a capacidade de levarmos junto, um pouco mais, daqueles que também precisam de nós. Você é especial para Deus. Acredite nisso.
Definitivamente, somos pelo o que somos.
Autor: Amadeu Epifânio
Projeto Conscientizar - Viver bem é Possível ! (epifaniodg@hotmail.com)
fonte: http://deondeparei.blogspot.com.br/2014/03/transtornos-psiquiatricos-e-problemas.html
Depoimento - Texto sobre como descobri que era bipolar.
Acho que faz uns 3 anos que eu descobri que sou bipolar. Tive esse diagnóstico na primeira consulta com o primeiro psiquiatra e detestei a ideia de ter de tomar remédios durante o resto da vida.
Na verdade, acabei indo ao psicólogo e ao psiquiatra justamente porque as coisas não iam bem com meu marido. Eu era uma pessoa chata e irritante. Nos programas de família tinha momentos que eu estava alegre e leve e tinha momentos em que eu fechava a cara, não falava com ninguém e ainda por cima era estúpida com as pessoas.
Antes de ir ao médico, eu não fazia ideia da bipolaridade, eu e meu marido achávamos que eu tinha dupla personalidade, porque eu mudava de uma hora para outra de humor e ia de um extremo ao outro. As pessoas simplesmente me queriam longe, porque eu as magoava e depois sentia uma culpa enorme, porque no fundo não era a minha intenção. Eu era arrogante com as pessoas e achava que era milhares de vezes melhor do que elas porque eu gostava de todos assuntos voltados às Artes, principalmente Beethoven (meu ídolo) e não tinha ninguém para conversar, porque eles não gostavam das mesmas coisas que eu. Por isso, eu acabei indo ao psiquiatra Após a primeira entrevista o psiquiatra receitou Carbolitium. Pequei a receita, levei para casa e nunca tomei. Nesse período eu também procurei uma psicóloga, mas parei de frequentar depois de uns dois meses.
A ideia de ter que tomar remédio para me “controlar” caso contrário eu teria uma crise, me deixava muito ruim, porque me sentia incompleta, que precisava tomar algo para ficar “normal”, assim como eu tenho de usar meus óculos para a miopia.
A verdade é que por muito tempo eu não fui mais a médico algum. Passei por 6 psiquiatras e todos eles deram o diagnóstico bipolar todas as vezes em que eu eu explicava minhas atitudes. Na fase de mania, eu gastei tanto dinheiro que tive de fazer empréstimo no banco para pagar as contas. Quando meu marido descobriu (porque eu sabia que estava fazendo uma coisa errada, mas na minha cabeça, tudo ia dar certo. Iriam surgir do nada várias clientes para decorar unhas e eu conseguiria pagar tudo certinho). Mas óbvio que não foi assim que aconteceu. Fiquei endividada, meu marido sumiu com meus cartões de crédito e eu fiquei sem poder gastar um centavo. Foi um período bem difícil e então em entrei em depressão. Não tinha vontade de fazer nada, de trabalhar, de me arrumar e até gritar com meu filho de forma repentina, eu gritei.
Eu sabia que tinha de voltar ao médico e pedir auxílio, mas ainda assim, não queria. Eu podia passar sozinha pela situação.
Então, um dia eu estava escrevendo em um dos meus 6 blogs, quando de repente veio a ideia para outro blog e depois outro e mais outro. As ideias surgiram de forma tão rápida e todas as mesmo tempo, que eu não consegui escrever mais nada e fiquei literalmente tonta e, em seguida, como se um botão tivesse sido desligado, houve um vazio na minha cabeça, as ideias desapareceram e eu fiquei parada como um “zumbi”. Era como se eu estivesse no meio de um furacão e de repente estivesse no lugar mais calmo do planeta.
Isso sim me assustou e novamente eu saí a procura de um psiquiatra pra voltar a tomar os remédios.
Hoje eu tomo Carbolitium e Bup e me sinto uma pessoa “normal”, apesar de ter algumas recaídas, mas nada comparado às crises de antes.
Este é o meu relato e espero ter ajudado de alguma forma.
Michele
Depoimento do M.M.C
Meu dia começa e termina em meio a um turbilhão de emoções, e até mesmo uma simples ausência do sentir, como se fosse um sentimento novo, ainda não caracterizado por um nome específico. É incrível como a perspectiva da realidade torna-se tão flexível quando submetida ao crivo das emoções; muitas vezes a vida apresenta-se como algo extraordinário, sujeita a múltiplas possibilidades e caminhos a seguir, incrível em toda a sua incerteza e efemeridade; já em outras, apercebo-me de sua extrema ausência de sentido, e de quão vazios somos nós, ao compartilharmos uma realidade que nos desagrada, resignados com as mazelas que nos cercam, inertes sob a égide de um comodismo cultuado.
O simples convívio social, que é coisa inerente a qualquer um de nós, mostra-se um desafio a ser batalhado constantemente, e o que era para ser divertido e proveitoso, acaba por se tornar tedioso e, muitas vezes, desagradável, fruto da injusta alternância entre lapsos de extrema autoconfiança e autosabotagem.
Assim, em uma tentativa de mascarar toda a situação, me sujeito a fazer o comum, o que dizem que é o certo a ser feito, muito embora esse “caminho do sucesso”, que as pessoas nos apresentam como uma fórmula para felicidade, não passe de uma ideologia que há muito vem sendo compartilhada sem sucesso.
A verdade é que, preocupados em seguirmos o percurso cartesiano para nos tornarmos “alguém na vida”, esquecemo-nos de sermos nós mesmos; o mundo de hoje massacra nossas particularidades antes mesmo tomarmos conhecimento delas.
Ainda não sei se é uma benção ou maldição ser capaz de ver o mundo sob essa lente bifocal, talvez sejam as duas, porquanto tal capacidade ajude em algumas situações, em detrimento de outras; benção ou maldição, considero-me privilegiado por perceber que, imersos nessa cultura da perfeição, afogados em um mar de superficialidade e aparência, são nossas imperfeições que nos diferenciam e nos fazem únicos; pois, se assim não fosse, não passaríamos de mais uma espécie qualquer."
M.M.C
Falando sobre Bipolaridade - Depoimentos
Descobri que era bipolar aos 16 anos (em 1979), quando o Transtorno Bipolar Afetivo ainda era mal diagnosticado e chamado de Psicose Maníaco-Depressiva (PMD).
Em abril de 1979, após romper um namoro de quase três anos, entrei em profunda depressão e para sair dela, recorri às drogas (maconha, cocaína, álcool). Minha vida tornou-se um turbilhão, uma nau sem rumo e, para piorar, numa viagem de fim de semana à Angra dos Reis, tomei um ácido (LSD) que, segundo os psiquiatras consultados, detonou o surto psicótico.
Foram meses de tratamento em casa, assistida 24 horas por dia até que as coisas voltassem a fazer algum sentido.
Naquela época, no Brasil, ainda não se usava o carbonato de litío no tratamento. Após a fase de surto e euforia, entrei num longo e doloroso período de depressão. Para se ter uma idéia da gravidade, eu sequer atendia ao telefone. Passava minhas noites lendo ( de Marguerite Youcenar a Èrico Veríssimo, de Fernando Pessoa e Clarice Linspector a João Ubaldo Ribeiro. Enfim, li todos os livros que estavam ao meu alcance.
Com o passar do tempo e com a ajuda de amigos queridos e profissionais, consegui superar a fase depressiva, voltei a estudar, passei no vestibular e comecei a trabalhar. Consegui retomar a minha vida e voltei a ter um relacionamento sério e longo. Durante um período de aproximadamente 15 anos não apresentei nenhuma oscilação de humor digna de nota ou que indicasse um surto iminente. Por conta própria suprimi as drogas e tomava eventualmente um ou dois copos de cerveja - o surto deixa cicatrizes e uma ressaca moral monumental - porque eu sabia que se bebesse além do limite, meu equilíbrio estaria em jogo.
Apesar disso, tinha vergonha de assumir ou dizer que era bipolar. Para mim, aquele surto lá em 1979 tinha sido um baita susto, mas já superado e que nada nem ninguém me fariam passar por aquilo de novo. É importante esclarecer que durante esses 15 anos eu não tomava nenhum medicamento para tratar a bipolaridade. Cheguei a achar que estava "curada".
Porém, ao romper um relacionamento de mais de 10 anos, já aos 33 anos de idade, tive um surto moderado, mas suficientemente intenso para preocupar a família. Nesta fase foi inevitável a perda do emprego, os gastos compulsivos, as dívidas e a busca de emoções nas noitadas do Rio. Claro que eu achava que estava ótima (a mania e a hipomania criam esta sensação de euforia, entusiasmo, onipotência e coisas afins), mas na verdade, estava péssima. Foi preciso muita insistência de parentes, ex-marido e amigos para que eu procurasse meu psiquiatra. Foi então que comecei, após um único bate-papo com meu médico, a tomar o lítio. Conseguimos - eu e meu médico - acertar a dosagem em cerca de um mês e ele me prescreveu também o Rivotril para as noites mais agitadas. Após o início do tratamento passei por uma outra fase de depressão, porém bem mais branda que a primeira. E de lá pra cá, tomo apenas o lítio (eventualmente, 0,5 mg de Rivotril) e nunca mais tive outro surto.
Hoje, sou a primeira a perceber qualquer sinal de oscilação patológica de humor e procuro o meu médico para fazer algum ajuste na dose do remédio. Não tenho vergonha de dizer que tenho a doença - ao contrário, orgulho-me de ter sobrevivido, de ter enfrentado o problema e de viver sem medo e sem grandes sustos - e aprendi a conviver bem com ela. Atualmente, não me permito ser dominada por ela e, na medida do possível, tento dominá-la.
Enfim, o sofrimento, a culpa - porque a doença afeta toda a família em alguma medida -, a vergonha e o medo das recaídas ainda existem. Porém, também existe uma sensação de superação, uma vontade enorme de viver e de compartilhar minha experiência para tentar mostrar que o cérebro, como qualquer outro órgão, também adoece. O preconceito existe, mas ele precisa ser combatido e só conheço uma maneira: conhecendo e esclarecendo as infindáveis dúvidas que acompanham a bipolaridade. Realmente, ainda não tem cura, mas tem tratamento eficaz. Aceitar e tratar é a única forma que conheço de tentar ser feliz. Como me disse uma grande psiquiatra uma vez: "A bipolaridade é uma espécie de diabetis cerebral." Alguém tem vergonha de dizer que é diabético e que precisa tomar insulina pelo resto da vida? Acredito que o maior preconceito é do próprio doente. Combatê-lo é uma questão de vontade e entendimento.
Em resumo, queria dizer que sou uma pessoa feliz, que aprendeu a conviver com a bipolaridade sem preconceito, que aceitou o tratamento para o resto da vida, que fez duas faculdades, uma especialização, que trabalha, produz, tem amigos, namorado e que...vive. Não deixo de fazer visitas periódicas ao médico, principalmente para medir as taxas de lítio e fazer perfis renal e hepático porque o medicamento tomado de forma contínua exige este cuidado. E por último, quero deixar claro que o tratamento medicamentoso é apenas parte do tratamento. A psicoterapia é tão importante quanto o remédio por que só ela que te dará forças para reconstruir, para colar os cacos e seguir em frente.
Aproveito para divulgar o blog escrito pela minha mãe, cuja experiência ela vem relatando em capítulos, porque acredito que a divulgação da minha história, sob o ponto de vista materno, pode ajudar muita gente. Eis o link do blog:http://quemebipolar. blogspot.com.br/
Obrigada
Patrícia Junqueira
Em abril de 1979, após romper um namoro de quase três anos, entrei em profunda depressão e para sair dela, recorri às drogas (maconha, cocaína, álcool). Minha vida tornou-se um turbilhão, uma nau sem rumo e, para piorar, numa viagem de fim de semana à Angra dos Reis, tomei um ácido (LSD) que, segundo os psiquiatras consultados, detonou o surto psicótico.
Foram meses de tratamento em casa, assistida 24 horas por dia até que as coisas voltassem a fazer algum sentido.
Naquela época, no Brasil, ainda não se usava o carbonato de litío no tratamento. Após a fase de surto e euforia, entrei num longo e doloroso período de depressão. Para se ter uma idéia da gravidade, eu sequer atendia ao telefone. Passava minhas noites lendo ( de Marguerite Youcenar a Èrico Veríssimo, de Fernando Pessoa e Clarice Linspector a João Ubaldo Ribeiro. Enfim, li todos os livros que estavam ao meu alcance.
Com o passar do tempo e com a ajuda de amigos queridos e profissionais, consegui superar a fase depressiva, voltei a estudar, passei no vestibular e comecei a trabalhar. Consegui retomar a minha vida e voltei a ter um relacionamento sério e longo. Durante um período de aproximadamente 15 anos não apresentei nenhuma oscilação de humor digna de nota ou que indicasse um surto iminente. Por conta própria suprimi as drogas e tomava eventualmente um ou dois copos de cerveja - o surto deixa cicatrizes e uma ressaca moral monumental - porque eu sabia que se bebesse além do limite, meu equilíbrio estaria em jogo.
Apesar disso, tinha vergonha de assumir ou dizer que era bipolar. Para mim, aquele surto lá em 1979 tinha sido um baita susto, mas já superado e que nada nem ninguém me fariam passar por aquilo de novo. É importante esclarecer que durante esses 15 anos eu não tomava nenhum medicamento para tratar a bipolaridade. Cheguei a achar que estava "curada".
Porém, ao romper um relacionamento de mais de 10 anos, já aos 33 anos de idade, tive um surto moderado, mas suficientemente intenso para preocupar a família. Nesta fase foi inevitável a perda do emprego, os gastos compulsivos, as dívidas e a busca de emoções nas noitadas do Rio. Claro que eu achava que estava ótima (a mania e a hipomania criam esta sensação de euforia, entusiasmo, onipotência e coisas afins), mas na verdade, estava péssima. Foi preciso muita insistência de parentes, ex-marido e amigos para que eu procurasse meu psiquiatra. Foi então que comecei, após um único bate-papo com meu médico, a tomar o lítio. Conseguimos - eu e meu médico - acertar a dosagem em cerca de um mês e ele me prescreveu também o Rivotril para as noites mais agitadas. Após o início do tratamento passei por uma outra fase de depressão, porém bem mais branda que a primeira. E de lá pra cá, tomo apenas o lítio (eventualmente, 0,5 mg de Rivotril) e nunca mais tive outro surto.
Hoje, sou a primeira a perceber qualquer sinal de oscilação patológica de humor e procuro o meu médico para fazer algum ajuste na dose do remédio. Não tenho vergonha de dizer que tenho a doença - ao contrário, orgulho-me de ter sobrevivido, de ter enfrentado o problema e de viver sem medo e sem grandes sustos - e aprendi a conviver bem com ela. Atualmente, não me permito ser dominada por ela e, na medida do possível, tento dominá-la.
Enfim, o sofrimento, a culpa - porque a doença afeta toda a família em alguma medida -, a vergonha e o medo das recaídas ainda existem. Porém, também existe uma sensação de superação, uma vontade enorme de viver e de compartilhar minha experiência para tentar mostrar que o cérebro, como qualquer outro órgão, também adoece. O preconceito existe, mas ele precisa ser combatido e só conheço uma maneira: conhecendo e esclarecendo as infindáveis dúvidas que acompanham a bipolaridade. Realmente, ainda não tem cura, mas tem tratamento eficaz. Aceitar e tratar é a única forma que conheço de tentar ser feliz. Como me disse uma grande psiquiatra uma vez: "A bipolaridade é uma espécie de diabetis cerebral." Alguém tem vergonha de dizer que é diabético e que precisa tomar insulina pelo resto da vida? Acredito que o maior preconceito é do próprio doente. Combatê-lo é uma questão de vontade e entendimento.
Em resumo, queria dizer que sou uma pessoa feliz, que aprendeu a conviver com a bipolaridade sem preconceito, que aceitou o tratamento para o resto da vida, que fez duas faculdades, uma especialização, que trabalha, produz, tem amigos, namorado e que...vive. Não deixo de fazer visitas periódicas ao médico, principalmente para medir as taxas de lítio e fazer perfis renal e hepático porque o medicamento tomado de forma contínua exige este cuidado. E por último, quero deixar claro que o tratamento medicamentoso é apenas parte do tratamento. A psicoterapia é tão importante quanto o remédio por que só ela que te dará forças para reconstruir, para colar os cacos e seguir em frente.
Aproveito para divulgar o blog escrito pela minha mãe, cuja experiência ela vem relatando em capítulos, porque acredito que a divulgação da minha história, sob o ponto de vista materno, pode ajudar muita gente. Eis o link do blog:http://quemebipolar.
Obrigada
Patrícia Junqueira
Lítio - Depoimentos
“O lítio mudou minha vida.
A palavra que eu associo a ele é LUCIDEZ.
Nunca fui tão lúcida.
Porém, engordei 12 quilos com ele.
Mas eu não quero abrir mão dessa lucidez que me faz ver o mundo de uma forma completamente diferente. Tudo limpo e claro.
Ele deu fome. E diminuiu minha capacidade de me mexer. Não consigo fazer exercícios.
Estou mais tranquila e não tenho mais a agitação de antes que me fazia correr até 8 km por dia.
A fome vem mais à noite. Depois da segunda dose.
Tentei diminuir essa segunda dose mas isso compromete meu equilibrio.
Acho que estou tomando exatamente o suficiente para me manter lúcida.
A saída é passar fome e simplesmente não comer tudo que dá vontade.
Vou ver o que acontece.”
Fonte: http://transtornoafetivobipolar.com/
Acompanhe no Facebook e no Instagram e Inscreva-se no canal Viviane Vaz Coach no Youtube. Mais Informações acessem o site coachesdesuperacao.com
A palavra que eu associo a ele é LUCIDEZ.
Nunca fui tão lúcida.
Porém, engordei 12 quilos com ele.
Mas eu não quero abrir mão dessa lucidez que me faz ver o mundo de uma forma completamente diferente. Tudo limpo e claro.
Ele deu fome. E diminuiu minha capacidade de me mexer. Não consigo fazer exercícios.
Estou mais tranquila e não tenho mais a agitação de antes que me fazia correr até 8 km por dia.
A fome vem mais à noite. Depois da segunda dose.
Tentei diminuir essa segunda dose mas isso compromete meu equilibrio.
Acho que estou tomando exatamente o suficiente para me manter lúcida.
A saída é passar fome e simplesmente não comer tudo que dá vontade.
Vou ver o que acontece.”
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