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Canal Saúde - Reportagem sobre Transtorno Bipolar e entrevista com Viviane Vaz


Canal Saúde - Tema Transtorno Bipolar, abril de 2015 

O Canal Saúde fez um programa especial sobre o Transtorno Bipolar do Humor, na reportagem é entrevistado o Professor da UFRJ e Psiquiatra Elie Cheniaux no qual explica bastante sobre o Transtorno Bipolar. No programa também é entrevistado o  Psiquiatra e Professor da UNB  Gabriel Graça no qual fala da importância do Grupo de apoio a bipolares e Familiares e do Grupo e de Tratamento em Brasilia. E por fim é entrevistada a portadora e autora desse blog, Viviane Vaz, a qual fala um pouco da sua bipolaridade e de como aprendeu a lidar e conviver com a doença. 

Segue abaixo o vídeo da reportagem:
Canal Fio Cruz Transtorno-bipolar




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Transtorno Bipolar e Males da Alma


                                          Dr. Drauzio Varella

Drauzio Varella na série do Fantástico ‘Males da Alma’ fala sobre Transtorno bipolar

Neste domingo dia 24 de março de 2013 a Rede Globo de Televisão passou no programa Fantástico  na série de  Dr. Drauzio "Males da Alma"  foi sobre o  "transtorno afetivo bipolar do humor". 

A série  é composta de seis episódios, Dr. Drauzio traz mais informação sobre depressão, pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, bipolaridade, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e transtorno da auto imagem. 
O último episódio foi nesse domingo dia 24 de março sobre Transtorno bipolar do humor.

“A intenção é discutir esses distúrbios que afetam a vida de milhões de pessoas, muitas das quais sofrem sem entender o que se passa com elas”, relata Drauzio Varella.

O programa desse domingo acompanhou a vida diária de duas pacientes com transtorno afetivo bipolar do humor (uma de São Paulo e outra de Belo Horizonte). Além é claro de apresentar um pouco sobre a doença bipolar. 

O programa teve pouco tempo de duração no Fantástico e talvez por causa disso tenha ficado alguns assuntos relevantes sem serem abordados. Mas, de qualquer forma, a iniciativa foi  boa  para trazer um pouco de informação a população e para mostrar que bipolar não é coisa de outro mundo.


Confiram o vídeo no Fantástico:



Além da exibição dos programas, a Rede Globo disponibilizou na internet acesso a população brasileira que necessita encontrar ajuda em psiquiatria, psicologia etc através dos serviços dos CAPS (centro de atenção psicossocial), ao acessar você tem um"mapa de atendimento" para facilitar a procura. Acesse para saber mais: http://especial.g1.globo.com/fantastico/males-da-alma/



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Especialista cobra melhoria de atendimento dos que sofrem de transtorno bipolar

Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
31/07/2011
Pseudofelicidade

A saúde pública brasileira pode ser considerada um exemplo da necessidade de o Estado investir mais no Sistema Único de Saúde (SUS) e nas universidades federais e estaduais para garantir uma das necessidades básicas do cidadão e assim que ele busque sua felicidade. A especialista em transtornos afetivos e coordenadora do laboratório de psiquiatria da Universidade de Brasília (UnB), Maria das Graças de Oliveira, destacou que a rede pública enfrenta um quadro “caótico”, o que inviabiliza, por exemplo, o tratamento de cerca de 12,4 milhões de pessoas com uma doença conhecida como transtorno bipolar.

Esse transtorno afetivo é caracterizado por uma oscilação brusca de humor, quando passam por momentos de “pseudofelicidade” ou euforia, para logo depois entrar em depressão. A psiquiatra disse que do total de pessoas com transtorno bipolar, 1,8 milhão sofre do tipo 1 da doença, o estágio mais grave.

“Na verdade, nem os serviços públicos nem os serviços privados tem capacidade de atender a um contingente desses. Não tem serviços de saúde mental para todo mundo”, ressaltou a médica.

Maria das Graças acrescentou que a maioria dos brasileiros, principalmente os mais pobres, portadores do transtorno bipolar não contam com atendimento ambulatorial e, muito menos, psicoterapia. Para dar essa oportunidade de atendimento pelo SUS, seria necessário investimentos maciços nos hospitais públicos e universitários, especialmente em equipamentos de alto custo no mercado.

A coordenadora do Laboratório de Psiquiatria da UnB cobrou das próprias universidades públicas a responsabilidade por pesquisas de desenvolvimento de tecnologias que permitam “abordagens psicossociais” mais viáveis economicamente para atender um número maior de pacientes bipolares que vivem momentos de uma “felicidade artificial”. “É óbvio que a indústria farmacêutica não vai fazer isso, ela vai pesquisar medicamentos. Quem tem que pesquisar [isso] somos nós da universidade. Eu diria que temos o dever ético de fazê-lo”.

Pesquisas científicas demonstram que essa doença, que oscila entre momentos de euforia e depressão, geralmente é diagnosticada com mais precisão entre os 18 e 25 anos. Segundo ela, estudos mais recentes mostram que, em muitos casos, os portadores da bipolaridade já apresentam os sintomas de um humor patológico desde a infância.

Essa pseudofelicidade, no caso do transtorno bipolar, é caracterizada por estados de impulsividade, arrogância, pensamento acelerado, fala rápida e com atropelo de palavras sem permitir a terceiros participarem da conversa, pouco período de sono e, o mais grave, atos de inconsequência que lhe trazem repercussões negativas a curto prazo.

Maria das Graças aposta nas trocas de experiências entre as pessoas com bipolaridade, pela formação de grupos de apoio, criando uma “rede de proteção”, em que a pessoa e seus familiares se sintam acolhidos. Ela foi uma das responsáveis por viabilizar, em 1999, a Associação Brasileira de Familiares Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata) que atua no Hospital das Clínicas de São Paulo.

“O motivo é sentir que você não está sozinho no mundo. Isso já é muito bom. Já tem, psicologicamente um efeito de proteção coletiva”, disse a psiquiatra. Ela acrescentou que o grupo funciona como uma forma de o paciente aprender a lidar melhor com a doença, a partir das experiências de outra pessoa.

Um grupo parecido atua a cerca de dois anos em Brasília, é o Núcleo de Mútua Ajuda a Pessoas com Transtornos Afetivos (Apta), também concebido por Maria das Graças e outros profissionais da Faculdade de Medicina da UnB. Os integrantes reúnem-se todos os sábados, entre as 15h e as 16h30. Para participar dos encontros, basta entrar em contato com a Faculdade de Medicina pelo telefone (61) 3107-1978.


Da Agência Brasil

Fonte: pernambuco.com/ultimas/nota

Atenção à saúde mental está comprometida no Distrito Federal

Reportagem de: Mariana Laboissièr  (APTA)


Populares durante manifesto pela Saúde Mental no Parque da Cidade, domingo (10/7)


O Distrito Federal ocupa uma posição vergonhosa perante as demais unidades da federação no que diz respeito à cobertura de atenção à saúde mental. Ele ocupa a pior colocação entre todas as 27 regiões do Brasil, segundo dados do ano passado do Ministério da Saúde. A população de mais de 2,6 milhões de habitantes dispõe de apenas seis Centros de Atenção Psicossocial (Caps) espalhados pelo território, quando, na verdade, seriam necessárias 48 dessas unidades. Esse número representa 0,21 na proporção de Caps por 100 mil habitantes, ainda de acordo com o levantamento. Em contraponto, vem o estado de Alagoas com índice de 0,88 - em primeiro lugar no ranking.

No Plano Piloto, há apenas um centro de atenção voltado à pacientes que sofrem de problemas como psicoses, neuroses graves e transtornos diversos, mas ele não pertence à rede pública. Trata-se de uma clínica particular com demanda de 822 atendimentos diários. Diante desse panorama, profissionais da área, parentes de doentes e membros da sociedade civil se uniram em torno de uma causa: sensibilizar a sociedade para a carência do setor e reivindicar junto ao Governo do Distrito Federal (GDF) espaço no centro da capital para atendimento desses pacientes.

Nos moldes atuais, o Plano Diretor de Ordenamento Territorial do DF (Pdot) não prevê áreas para funcionamento de Caps, Hospitais-Dia, Hospitais-Noite e residências terapêuticas fora do Setor Hospitalar de Brasília. Em função disso, os manifestante pleiteiam mudanças na lei de zoneamento urbano. No momento em que se discutem atualizações no documento, o grupo busca alterações na redação a fim de resguardar a incorporação dessas atividades na área central da capital.
Mudanças

"A Reforma Psiquiátrica previu espaços nos centros urbanos para inserção social das pessoas com sofrimento psíquico, acabando com instituições de caráter asilar. Mas quando Plano Diretor foi criado, essa transformação ainda não tinha acontecido. É preciso que isso seja revisto", avalia Márcia Guiot Henning, presidente do Anankê - um centro de atenção à saúde mental com sede na Asa Norte. "Não queremos essas pessoas marginalizadas mais uma vez. Não somos hospitais, não produzimos lixo hospitalar, temos atividades psicoterapeuticas, como dança, artes plásticas. Nossa função é diferenciada", argumenta.

Na manhã deste domingo (10/7), cerca de 100 pessoas se reuniram no Parque da Cidade em um ato público para tratar da questão do atendimento à saúde mental no DF. Na ocasião, foram promovidas atividades culturais como música, pintura e uma peça de teatro. Os participantes seguravam cartazes com frases de protestos como: "Diga não ao preconceito e sim à saúde" e "Saúde mental necessidade na cidade". Outros tocavam instrumentos musicais e cantavam. As atividades tiveram início às 9h e terminaram às 12h, atraindo muitos curiosos.

“Encenação” revolta bipolares - Caso Deborah Guerner

Filiados ao Clube dos Amigos da Saúde Mental, pacientes de Brasília que sofrem de transtorno afetivo bipolar manifestam, em documento oficial, sua indignação com a suposta farsa protagonizada pela promotora. Preocupação é com a possibilidade de vulgarização da doença.

A carta de protesto será entregue ao Ministério Público do DF, ao Conselho Federal de Medicina a à câmara legislativa do DF

Já faz tempo que o auditório do Hospital São Vicente de Paula sedia reuniões de pacientes com transtorno afetivo bipolar. Entre quatro paredes, eles trocam experiências, oferecem apoio uns aos outros, narram a dureza de conviver com uma doença estigmatizada. Nos últimos dias, no entanto, o grupo tem se reunido e falado, com revolta, de uma só pessoa: a promotora Deborah Guerner, que alega sofrer do distúrbio para se isentar das denúncias de corrupção e justificar a aposentadoria por invalidez. A indignação do Clube dos Amigos da Saúde Mental se traduziu em uma carta de repúdio ao comportamento da promotora em que pede uma atitude firme das autoridades competentes.

Para o presidente do clube, José Alves Ribeiro, a situação da promotora se agrava justamente pelo cargo que ela ocupa. “É triste ver uma pessoa que estudou tanto para ser conhecedora da lei burlar a legislação para fazer uma coisa tão ruim com pessoas inocentes. As pessoas daqui são inocentes. Nos dias que somos atendidos, agradecemos a Deus. Aí vem uma pessoa que tem condição de pagar para não ser doente e paga para ‘adoecer’, enquanto a gente, pobre, vive pedindo para não ser doente”, desabafa. “Jamais eu vou querer apresentar o meu problema para fazer besteira na rua para alguém me tachar de ‘pobrezinho’”, diz.

Apesar de ter protagonizado chiliques públicos e ter adotado um figurino extravagante — roupas exageradas, joias espalhafatosas, cabelos despenteados e um batom vermelho forte onipresente — desde que foi apontada como pivô de um esquema de corrupção e tráfico de influência, Guerner, de acordo com a constatação do Instituto Médico Legal (IML), tem controle total de suas emoções e expressa “reações de acordo com as conveniências”. A defesa alega que a acusada é bipolar e portanto não poderia ser imputada pelos crimes de concussão, formação de quadrilha, extorsão e vazamento de informações privilegiadas em troca de propina, anotados em ações que correm contra a promotora no Tribunal Regional Federal (TRF) da 1º Região. “Tudo isso ajuda as pessoas a acharem que o bipolar não pode estar bem-vestido, não pode estar limpo e cuidado”, diz a técnica em enfermagem especializada em saúde mental Maria Girlene Soares Melo.


 Indignação

Os portadores do transtorno bipolar são muito claros sobre o que sentem diante de toda a espetacularização provocada pelo imbróglio Guerner. “Ela está acostumada a lidar com ladrões e se tornou uma ladra. Agora, ela está roubando a nossa condição, que é real, de bipolaridade para escapar da cadeia”, avalia Ana Dária Jubé, 52 anos. Desde 1998, quando foi diagnosticada, Ana Dária luta para que a família aceite sua condição. “Os meus irmãos sempre disseram que eu não tinha nada, apesar de eu já ter passado por 10 internações. Já estive no fundo do poço, mas, graças a Deus, consegui dar a volta por cima. E esse fato com a Deborah, ela ter sido pega fazendo essa encenação, isso deu força aos argumentos dos meus irmãos de que eu sou uma fingida”, lamenta.

O medo da assistente social Sélia Pinheiro, atuante do Hospital São Vicente de Paula há 16 anos, é que a forma como a doença tem sido exposta dificulte ainda mais o atendimento médico e a concessão de benefícios sociais aos pacientes. “Quando o paciente vai requerer benefício na Previdência Social, ele leva um relatório médico e, chegando lá, o perito do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) sempre questiona: ‘Você é doido mesmo? Você rasga dinheiro?’. É sempre essa visão de que o doente está manipulando seu quadro”, diz. Além disso, Sélia teme o reforço de uma prática antiga, e em desuso, de associar a doença mental à prática de crimes. “A nossa luta sempre foi para separar o paciente psiquiátrico do criminoso. E agora, essa pessoa que responde por promotora vem trazer esse pesadelo de volta.”

Tratamento

O transtorno bipolar não tem cura, mas é tratável. Se acompanhado e medicado adequadamente, os ciclos de oscilação de humor que causam tantos problemas aos acometidos são controlados e a pessoa pode levar uma vida normal. Aqui, os integrantes do Clube de Amigos da Saúde Mental fazem outro questionamento: por que, então, Deborah Guerner não se tratou? “Sei o quanto a minha família sofre com isso. Venho lutando há muitos anos para conseguir um tratamento. Foi muito difícil chegar até aqui. Por que uma pessoa que tem dinheiro não se tratou antes? Isso que está acontecendo está detonando a nossa doença”, analisa Lucélia de Sousa Silva, 29 anos. Atualmente, ela está em regime de semi-internação. Passa os dias no hospital e vai para casa à noite. “Você sai daqui com outra visão da doença, aprende a conviver. Estou lutando para ficar melhor e estou quase de alta.”

O psiquiatra Luís Altenfelder, que aparece em vídeo supostamente ensaiando como a promotora deveria se comportar durante a perícia a que seria submetida no IML, também não escapou da mira do grupo. “Ao agir de forma tão desonesta, não só cometeu extremo desrespeito à classe psiquiátrica (…) como também a todos, sobretudo a nós, ao expor toda a nossa categoria ao ridículo, imputando-nos papéis de verdadeiros palhaços perante a opinião pública”, crava o documento. A carta de repúdio do Clube será entregue ao Ministério Público do DF, órgão em que Deborah trabalhava; ao Conselho Regional de Medicina e à Câmara Legislativa.
 
Fontes: Reportagem do Correio brasiliense dia 09/05/11 e CORREIOWEB http://correiodesantamaria.com.br/?p=22709

Suicídios no Pátio Brasil

Desde 2001, 12 pessoas morreram ao se jogar do vão do Pátio Brasil

Reportagem do correio Brasiliense por Marcelo Abreu e Renato Alves em 02/05/2009

"Desde 2001, 12 pessoas morreram ao se jogar no vão central do Pátio Brasil, onde circulam 50 mil consumidores por dia। Para evitar novas tragédias, pai da vítima mais recente faz apelo para que sejam adotadas medidas de prevenção no local. Para shopping, mortes ocorreriam em qualquer lugar

Nove de março de 2009, segunda-feira pela manhã। Um rapaz veste uma bermuda clara, camisa e tênis preto e sai de casa, no Guará II. Ele diz à mãe que vai caminhar. Não é verdade. Pega um ônibus e segue para o Pátio Brasil, no início da W3 Sul. Espera as portas do shopping se abrirem. Às 10h, o centro de compras começa a receber o público. O rapaz entra. O shopping ainda está meio vazio. Ele vai até o último andar. Ali, na praça de alimentação, Pedro Lucas despenca para a morte. Não há ninguém passando por baixo naquele momento. Ele tem 21 anos. São 10h08. Brigadistas do shopping correm.

Uma espécie de biombo é colocado em volta do corpo. Sobre ele, uma lona preta. As pessoas vão e voltam. Uns viram. Outros ouviram o barulho. Correm para o último andar, para ver o que aconteceu, lá de cima. Seguranças impedem que as pessoas filmem ou tirem fotos. Afastam-nas do lugar. Outros nem imaginam o que acabou de ocorrer. As lojas continuam abertas. A vida segue. Somente às 13h o corpo é retirado e o lugar e onde Pedro caiu é higienizado.

Uma moça que estava lá no momento da morte de Pedro escreveu em um blog: “Eu cheguei pouco tempo depois do ocorrido. Havia duas ambulâncias do bombeiro em frente ao shopping e dentro tinha uma senhora que chorava muito, parecia estar apavorada. Acredito que ela deve ter visto todo o acontecido. O corpo foi isolado por biombos e coberto com uma espécie de lona preta para que as pessoas dos andares de cima não vissem. Demoraram uma média de quase três horas para retirarem o corpo do local”, escreveu a internauta, que se identifica como Fernanda.

Em 1º de março de 2007, a estudante de design de interiores Keiny Luiza de Souza, de 25 anos, moradora do Guará II, chegou ao Pátio Brasil para tirar fotos para documentos. Eram 10h15. O shopping ainda estava meio vazio. Às 10h24, ela ouviu, bem atrás dela, um barulho forte e abafado. De repente, pessoas gritaram. Algumas correram. Havia um rapaz de 27 anos no chão, que acabara de pular do último andar. Estava morto. “O que mais impressionou foi o esquema de segurança do shopping. Em menos de 10 minutos, tudo estava cercado para que ninguém chegasse perto nem visse lá de cima. A sensação que tive é que eles estão preparados para isso”, diz. Desde então, Keiny contou as vezes em que voltou ao local. “Fiquei muito tempo traumatizada, em estado de choque e com dificuldade para dormir. O corpo caiu atrás de mim. Podia ter sido em cima de mim. Hoje, quando volto ali, nunca ando pelas partes abertas, sempre procuro circular pelos lugares onde sei que ninguém pode desabar em cima de ninguém.”

Assunto proibido
Voltemos a 9 de março. Do shopping, o corpo de Pedro Lucas segue para o Instituto Médico Legal (IML). Em casa, a mãe, preocupada, começa a estranhar a demora do filho em voltar da “caminhada”. Liga para o pai de Pedro, seu ex-marido, que mora na Asa Norte. Os dois começam a ligar insistentemente para o celular do filho. Nada. “Até as 16h, o telefone chamou. Depois, a bateria deve ter acabado”, conta o pai. Anoitecia e Pedro não respondia às chamadas. O pai foi à 4ª DP (Guará) para fazer ocorrência de desaparecimento. Lá, um policial o levou para uma sala. Ele tinha a informação de que um rapaz, ainda não identificado, havia se matado em um shopping. As características batiam. Na delegacia, o pai soube que seu filho havia se jogado do último andar da praça de alimentação do Pátio Brasil. Foi reconhecer o corpo do filho morto no IML.

O rapaz de 21 anos é, desde 2001, a 12ª pessoa que dali se joga. “Ele tinha o livre arbítrio, mas não dessa forma”, reflete o pai, mortalmente ferido. E faz um apelo pela vida: “Se houvesse mais segurança naquele shopping, meu filho não teria se jogado dali. A minha luta agora é para que outros jovens não se matem nesse lugar”, promete o servidor público federal Marcos Dantas, de 51 anos. De acordo com o estudioso em prevenção de suicídio e psicólogo Marcelo Tavares, dificultar o acesso de uma pessoa em sofrimento a locais de risco pode ajudar a evitar a morte e abrir possibilidades de tratamento (leia mais na página ao lado).

No Pátio, o assunto é proibido. Virou tabu. Nenhum funcionário comenta as mortes. Dantas constatou isso, ao voltar ao local da tragédia sete dias depois. Ele entrou numa loja. Foi ao Pátio para levar uma carta, na verdade um pedido desesperado de socorro ao superintendente (leia a carta ao lado). Ao entrar na loja, segurando a emoção e o choro, perguntou a uma vendedora se ela ouvira falar que um rapaz havia se jogado dali. Ela o fitou, desconfiada. Depois, lhe disse, sem imaginar que o homem em frangalhos à sua frente era o pai do último rapaz que se matou no lugar onde ela trabalha: “É verdade. Mas a gente não pode falar disso com os frequentadores do shopping”.

O homem saiu da loja e chorou. Era só o que lhe restava. E prometeu que faria o que fosse possível para que ninguém mais dali se matasse. “O superintendente me recebeu. Ficou emocionado e disse que ia formar uma comissão de segurança para analisar o caso. Disse a ele que em 90 dias (o prazo termina em junho) voltaria para ver se alguma coisa tinha sido feita. Eles precisam colocar grades, vidros, redes...” Marcos soube que o shopping tem um vídeo onde a morte do filho está registrada. “Só pedi que nunca divulgasse essas imagens. Eu e minha família não precisamos mais de tanta dor.”

Choque
O rapaz que se jogou do último andar do shopping era um garoto como tantos outros. Gostava de sair com amigos, ir às baladas. Dominava bem a informática. “Às vezes, a timidez lhe deixava ruborizado. Ele era o calminho da turma”, lembra uma amiga do Colégio Rogacionista, no Guará II. Outro comenta: “A morte dele nos chocou demais. O Pedro às vezes era bem engraçado, gostava da vida”. Outra amiga, do prédio, emenda: “Com o término do namoro (havia sete meses o relacionamento tinha acabado), ele ficou deprimido (fez terapia com psicólogo). Andava triste, meio paradão. Não tava mais como antes, andava afastado da gente”. De acordo com outro amigo, ele “sempre foi reservado, mas estava mais do que o de costume. A gente até comentava que ele estava passando por um problema”. O pai, entretanto, conta os planos que o filho fazia: “Ele tinha se matriculado num curso de Tai Chi Chuan. A natação estava paga por 90 dias. Ele programava o futuro”.

Pedro Lucas era o segundo filho (e caçula) de um casal de pais separados. A mãe, com quem ele morava, vive no Guará II. O pai, na Asa Norte. Mas, mesmo com a separação, a família está sempre junta. O pai casou-se pela segunda vez. Com a nova mulher, teve mais dois filhos — um menino de 6 anos e uma menininha de 2. Pedro era padrinho do irmãozinho de 6 anos. O menino não compreende a morte. Pergunta por Pedro. Está em tratamento com psicólogo. A irmãzinha de 2 anos vai à janela do apartamento para ver “a estrelinha” que virou o irmão. Em noites nubladas e chuvosas, ela chora. Não consegue achá-lo. Marcos, o pai, sufoca o choro. Precisa ser forte.
Dias antes de morrer, no sábado, 7 de março, Pedro almoçou na casa do pai. “Notei, de fato, ele mais triste”, admite. “Mas pensei que fosse apenas um momento. Meu filho era pra cima.” Depois do almoço, o pai o levou em casa. Ele desejou ao pai “um bom futebol”, naquela tarde. Beijaram-se, na despedida. Foi a última vez que viu o filho vivo.
O que levou, afinal, Pedro a se matar? O pai, com a voz embargada, responde: “Me faço essa pergunta todos os dias. Talvez não consiga nunca a resposta. Ele era um menino normal, não tinha motivos para se matar”. A mãe, uma professora de 52 anos, chora sem cessar. A dor é infinda. O pai não se conforma: “Rompeu-se a lógica da vida. Um pai não podia enterrar um filho...”
A resposta que Marcos Dantas tanto procura talvez não venha nunca. Pedro a levou consigo, naquele pulo rumo à morte. Deixou pai e mãe órfãos de filho (ainda não inventaram um nome para pais que enterram filhos). Deixou irmãozinhos sem entender nada. A menina procura a estrelinha no céu. O menino conversa com uma psicóloga para entender por que “seu padrinho” nunca mais voltou. A vida, agora pela metade, acompanha aquela família.

Shopping se isenta
Ninguém do Pátio Brasil quis dar entrevista. A administração se pronunciou por meio da assessoria de imprensa. Alegou que “atende todas as normas construtivas e, embora tomadas as providências de segurança que evitam acidentes dentro do empreendimento, torna-se impossível conter uma decisão de alguém que, em um momento de desespero, decide atentar contra a própria vida.” Em e-mail enviado ao jornal, o shopping alegou que as medidas de segurança adotadas “são criteriosas e diariamente checadas, primando sempre pelo bem-estar dos clientes, segurança e conforto.” O Pátio Brasil ressaltou ser “apenas uma vítima que serviu de palco para o desfecho de algo que muito provavelmente aconteceria em qualquer outro lugar, a qualquer momento”. Também destacou que “não cabe ao Pátio Brasil o acompanhamento prévio e a atenção relativa aos sinais emocionais de pessoas que merecem atenção médica específica”.

Prevenir é possível
O Correio ouviu o professor Marcelo Tavares, 52 anos, coordenador do Núcleo de Intervenção em Crise e Prevenção do Suicídio, do Instituto de Psicologia da UnB, e a maior autoridade no assunto em Brasília. Para ele, o suicídio configura hoje sério problema de saúde pública em todos os países. “Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) mostram que, no mundo, há pelo menos uma tentativa de autoextermínio a cada três segundos. É uma das três maiores causas de mortes de pessoas de 15 a 35 anos.”
Tavares acredita que a prevenção demanda atenção de toda a sociedade। “Por ser um fenômeno complexo, resultante da interação de diversos fatores biológicos, psicológicos, sociais, culturais e ambientais, o suicídio não pode ser combatido a partir de ações isoladas”, define. E complementa: “O suicídio é um ato impulsivo. Portanto, quando a pessoa encontra uma pequena dificuldade, um esforço a mais para executar a ação, isso pode provocar uma desistência do ato, o suficiente para impedir”. E ele vai além: “O controle de acesso ao método retira a oportunidade, ameniza a impulsividade, reduz a letalidade e cria novas condições, como a possibilidade de apoio ou de tratamento.”
De acordo com o psicólogo, no artigo Suicídio: possível prevenir, impossível remediar, “as escolhas dos meios de suicídios são influenciadas por numerosos fatores relacionados à sua visibilidade, como a facilidade e a disponibilidade”. “Lugares bonitos e públicos podem criar um contexto para imortalizar e glorificar a própria morte na forma de um eloquente discurso final”, argumenta. Tavares faz um alerta: “Edifícios altos, como shopping centers e hotéis, são locais preferidos para a atuação suicida de altíssima letalidade. No entanto, os profissionais que projetam e constroem tais espaços ainda não estão sensibilizados para desenvolverem uma estrutura preventiva desde a concepção da obra até sua administração. Ainda mais grave é a falta de controle de acesso”, critica.
Estudos da OMS indicam que cada suicídio afeta significativamente pelo menos seis pessoas. Membros da família ficam mais suscetíveis a considerá-lo como uma alternativa a seus problemas. Tornam-se também pessoas em risco. “Se o suicídio ocorre em lugar de ampla circulação pública, seu alcance é ampliado. Muitos do que presenciam o fato podem sofrer danos, sobretudo aqueles já vulneráveis”, observa o especialista. O psicólogo lembra que não existem suicidas, mas “pessoas em sofrimento” que, em momentos de desamparo, buscam alternativas desesperadas para sair daquela situação. “Isso é transitório. Tenho pacientes que fizeram apenas uma tentativa, superaram e hoje estão muito bem.”
Um dos maiores estudiosos da prevenção em suicídios do país, que se debruça no tema desde 1987, Tavares acredita que o silêncio, o “não falar sobre isso”, apenas prejudica. “A responsabilidade da prevenção é de todos, mas a mídia tem um lugar especial, pois atinge as pessoas, sendo dificilmente neutra nesta questão”, avalia. E prossegue: “Uma constatação fundamental é que a prevenção não se faz pela glamorização dos problemas ou dificuldades, mas pela informação de como obter apoio psicológico; pelo desenvolvimento de habilidades positivas de enfrentamento, como, por exemplo, a autoestima, a habilidade de expressão afetiva-emocional, o relacionamento e suporte social, entre outras; e pelo relato de histórias bem-sucedidas de superação de dificuldades, principalmente dos fatores positivos envolvidos na superação”.

Caso de segurança pública
De cima do Pátio Brasil Shopping se jogaram 12 pessoas desde 2001. Todas morreram. A maioria pulou, sem dificuldade, do quarto e último pavimento de um dos maiores centros comerciais do Plano Piloto. Como os demais pisos suspensos, o vão do andar onde funciona a praça de alimentação é cercado apenas por um parapeito de acrílico com 1,20m de altura. O número de mortes preocupa as autoridades de segurança pública. A Defesa Civil fez alertas à administração do shopping, há dois anos. O órgão sugeriu uma série de medidas para impedir os suicídios, como parapeitos de 1,80m no vão central. Mas, em nome da estética do centro comercial de 65,5 mil metros quadrados, nenhuma foi acatada. As mortes continuaram.
Só este ano ocorreram dois casos. Após o mais recente, em 9 de março, o pai da vítima decidiu escrever uma comovente carta ao superintendente do shopping. O pai implorou pela construção de uma cerca nos andares mais altos. Alegou que a medida impediria outras mortes. Para o secretário de Segurança Pública do DF, Valmir Lemos, está na hora de pensar em meios para evitar mais mortes do Pátio Brasil. “Apesar de o prédio ser particular, o problema é sim de segurança pública, pois podemos estar perdendo vidas maravilhosas, gente com futuro brilhante, em cada caso desse. Sem falar no risco às outras pessoas”, afirmou.
A Defesa Civil já sugeriu à administração do shopping alguns ajustes na estrutura de segurança para evitar as mortes. As recomendações foram feitas em março de 2007 pelo subsecretário de Defesa Civil, coronel Luiz Carlos Ribeiro da Silva. “Fomos convidados pelo próprio shopping a fazer as sugestões, após duas mortes naquele ano. Discutimos algumas questões, mas, como o prédio cumpria todas as exigências previstas em normas técnicas, não podíamos nem podemos exigir nada.” Entre outras coisas, os técnicos da Defesa Civil sugeriram a construção de uma parede de vidro sobre os parapeitos do vão central. A proteção teria cerca de 1,80m e curva na ponta para não agredir a estética do prédio. Também foi pensada uma rede de proteção sob cada parapeito para, em caso de queda, a pessoa ser retida e depois resgatada por bombeiros. A administração pediu um mês para analisar o estudo e chamar novamente os técnicos. Nada foi feito.
As áreas externas dos restaurantes da praça de alimentação também são abertas ao público. Uma equipe do Correio constatou que o local é área de fumantes e ponto de encontro de jovens. É possível dar a volta no centro comercial sem ser incomodado pelos seguranças. As varandas são cercadas por um parapeito de concreto e ferro com cerca de 1,60m de altura. Da varanda externa do Pátio, uma mulher se jogou em 12 de junho de 2004. Divorciada, aposentada do Banco do Brasil, ela morreu às 17h35 de um sábado, Dia dos Namorados. Dia de shopping lotado. O corpo caiu sobre um carro estacionado na via entre o Pátio Brasil e o edifício Venâncio 2000.
Para o delegado Antônio Cavalheiro Filho, que investigou oito dos 12 casos ocorridos desde 2001, as pessoas que se mataram no Pátio Brasil não encontraram grandes obstáculos। “Não digo que seja culpa do shopping nem que essas pessoas deixariam de se matar caso não existisse o Pátio। Mas elas escolheram cometer o ato lá porque havia facilidade”, diz Cavalheiro, que chefiou a 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) de 1999 a 2007.
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O shopping está para Brasília hoje assim como a Torre de TV foi nos anos 1970 e 1980। Nas duas décadas, 20 pessoas morreram ao pular do mirante da torre, que tem 75m de altura. Na época, o local tinha um parapeito de 1,20m de altura. O fenômeno forçou o governo fechar todo o entorno do mirante com grades, em 1985. Com isso, cessaram as mortes.

O Pátio foi inaugurado em 1997, mas a reportagem só teve acesso às ocorrências feitas de 2001 em diante. Por isso, não foi possível saber se houve outros casos nos quatro anos anteriores."


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Quantas pessoas vão ter que morrer mais para o pátio Brasil tomar uma providência ?


http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_13/2009/05/02/noticia_interna,id_sessao=13&id_noticia=104445/noticia_interna.shtml

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