10 SINTOMAS DO ESGOTAMENTO EMOCIONAL

O esgotamento emocional é um grande vilão que se não for tratado com seriedade pode se transformar em depressão.

Tudo começa de forma discreta e você não dá importância, acha que é apenas cansaço e assim que tiver um tempo tira uma folga para relaxar e tudo ficará bem.

O problema é que essa folga vai sendo adiada constantemente por problemas cotidianos e alguns sintomas começam a aparecer. Quando são sintomas físicos você procura um médico.O médico por sua vez diz que não é nada grave e prescreve um calmante natural junto com o remédio para tratar o problema físico.

Você segue o tratamento, os sintomas físicos (geralmente ligados ao aparelho digestivo) melhoram e você segue bem por um curto período, até aparecer outro problema.

ESGOTAMENTO 01

O esgotamento emocional aparece geralmente após um período 
conturbado que ficou para trás, ou junto com um problema que você está 
lutando para resolver mas não consegue.
Aqui seguem alguns sintomas típicos que você deve ficar atento para não
 deixá-los sem a devida atenção.

1 – O sono não é reparador

Você já acorda cansado, mesmo tendo dormido a noite toda. Precisa de 
uma boa dose de café para sair de casa e começar seus afazeres diários. 
O cansaço só vai piorando durante o dia.

2 – Queda de rendimento no trabalho.

Você não é mais tão rápido para fazer tudo o que sempre fez com disposição. 
Tem dias que parece que está ligado no modo automático no trabalho e em 
reuniões para organização de novos projetos você não tem ideias e acaba 
seguindo e apoiando as ideias dos outros pois está cansado demais para 
se empenhar em algo novo e ser criativo.

3 – Memória fraca

A agenda agora é sua amiga, pois sem o aviso no celular você esquece
 mesmo e nem se dá conta, por isso até coisas que você costumava nunca 
esquecer estão sendo colocadas para apitar no telefone.

4 – Há algum tempo sair de casa para festas e ficar com 
os amigos já não te dão entusiasmo.

Antes era bom sair, conversar com amigos, mas agora existe sempre uma
 boa desculpa para ficar de pijama em casa. Assistir um filme debaixo das 
cobertas é muito mais satisfatório do que ir ao cinema. Ás vezes você até 
sai,conversa, mastem sempre uma preocupação te impedindo de curtir 
inteiramente um momento de descontração. Você prefere não ficar muito 
tempo fora de casa, precisa de mais tempo de descanso.

5- Azia, dores de estômago e intestino que não funciona 
como deveria.

Nosso aparelho digestivo é sempre o primeiro a dar sinais de que suas 
emoções não estão bem. Pessoas esgotadas emocionalmente sempre 
sofrem com algum tipo de problema no aparelho digestivo. Você marca 
consulta com o gastro, toma os remédios e muda a dieta, como o médico
 sugere. Mas o problema insiste em voltar e você não entende o porquê.

6- Dores de cabeça.

Por não ser insuportável, basta tomar um analgésico e tudo fica bem, mas 
ela marca presença pelo menos três vezes ao mês, ou até mais. É claro 
que você deve ir ao médico investigar sintomas físicos, seguir 
recomendações médicas é fundamental, mas nesse caso, os exames não
 identificam nada e você acaba com uma frustração e uma receita de 
calmante leve e natural para melhorar.

7- Vontade de chorar sem explicação aparente

Sua sensibilidade está muito maior e coisas pequenas como perder o 
ônibus e chegar atrasado a um compromisso ou uma despesa inesperada 
que irá te deixar mais apertado financeiramente durante o mês já são 
suficiente para um choro compulsivo e reclamações exageradas. Depois 
do desabafo você melhora e segue o resto do dia quieto até a hora de 
dormir. No outro dia você sente vergonha por ter sido tão sensível e
 procura seguir como se nada tivesse acontecido.


8- Dificuldades para ler e assimilar novos conteúdos

Ler um livro e conseguir prestar atenção ficou mais difícil. No meio da 
página você começa a pensar em outras coisas e quando volta para a 
realidade se dá conta que esqueceu o que acabou de ler e volta para a 
página anterior. Aprender algo novo está mais complicado, sua paciência
em aulas e palestras já não é a mesma de antes. Não vê a hora de ir 
embora fazer outras coisas, pois prestar atenção está difícil.

9 – Pensamentos negativos mais frequentes

No geral você é uma pessoa otimista, compartilha mensagens bonitas de 
motivaçã o em redes sociais, mas ás vezes lá no fundo você sente 
vontade de explodir, não faz orações ou frequenta sua religião com o mesmo
entusiasmo e para de buscar novas soluções para os problemas, pois 
acredita que as coisas podem piorar se você tentar algo novo. Sente mais
o lado negativo, e se existe uma chance das coisas darem errado elas
 agora recebem mais atenção da sua parte, pois você está cansado de se
machucar e esperar demais de tudo e de todos.

10 – Engolir sapos para evitar discussões

Pra você certas pessoas são do jeito que são e não vão mudar. Elas te
 irritam, tratam mal, mas você prefere não confrontar porque seria perda
de tempo, principalmenteno trabalho. É uma boa linha de raciocínio, 
desdeque não te afete emocionalmente. É preciso impor limites ás vezes, 
mesmoque seja educadamente.Se for possível cortar da sua vida para 
ter paz e saúde,não pense duas vezes. Da mesma forma que ninguém
está disposto a ficar doente por você,você também não pode tolerar 
comportamentos abusivos para não causar atritos. Liberte-se!

Como tratar? 

Os sintomas físicos devem sempre receber atenção de um médico e o
 tratamento deve ser seguido, mas tudo que for de fundo emocional não 
vai parar de se manifestar.Pare de adiar seu descanso, faça algo por 
você! Procure ajuda, terapia convencional ou holística. Liberte-se de 
relacionamentos destrutivos que não te levarão a felicidade nunca. 
Atue a seu favor, não tente absorver problemas que não são seus. 
Não faça pelos outros mais do que faz por você. 
Coloque-se em primeiro lugar, nada deve ser feito no modo automático.
Você deve sentir a vida e não apenas seguir o fluxo.

Fonte: 
https://osegredo.com.br/2016/07/10-sintomas-do-esgotamento-emocional/

Baixe o E-book com 7 DICAS para conquistar o Equilibrio Emocional


Olá, eu sou a Viviane Vaz, coach das emoções e sou autora desse blog Mente Inquieta, no qual eu escrevo desde 2006.

Fui diagnosticada em 2001 com transtorno bipolar e Estou estável há 9 anos.
Muitas pessoas me perguntam: Como você tem feito o seu tratamento? O que você fez e faz para ficar estável há tanto tempo?  

Bem, percebi ao longo desses anos que muitas coisas afetam no equilíbrio emocional.
Mas, como a procura tem sido muito grande eu resolvi compartilhar isso com vocês fazendo em um E-book (livro digital) com 7 DICAS para conquistar e manter o Equilíbrio emocional.

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Forte abraço!

Viviane Vaz

A vida depois de sobreviver a uma tentativa de suicídio




A Vida depois de superar a Depressão

Aos 23 anos, Isabel Montón tomou um vidro inteiro de calmantes. Não queria acordar nunca mais. Hoje, usa a força e o aprendizado para salvar outras vidas como voluntária do Centro de Valorização da Vida.


Faz 48 anos, mas Isabel Montón lembra-se bem. Não há tempo que a faça esquecer o dia em que, à beira do abismo emocional, sem ter para onde olhar, sonhar ou fugir, tentou colocar fim à própria vida. E o dia seguinte, o da sobrevivência, não é mágico. Não veio acompanhado de grandes descobertas, lágrimas ou uma vontade insuportável de viver. Nem de um despertar, um “o que que eu fui fazer?”. Não para ela.
Isabel queria dormir para sempre. Dormiu três dias. Acordou em um hospital psiquiátrico, dopada, sentindo os efeitos dos mais de 50 comprimidos calmantes que havia tomado. Faltava pouco para ela completar 24 anos. Ao encontrar o vidro vazio no apartamento onde Isabel vivia, a irmã correu com ela para o hospital. Lá, acordou anestesiada, uma sensação que a acompanhou algum tempo ainda depois daquele dia.
Isabel teve uma infância turbulenta no Rio de Janeiro. Começou a estudar e trabalhar cedo. Em casa, se sentia rejeitada pela mãe, que a culpava pela separação do marido. Diz que tinha sonhos premonitórios, via coisas. A mãe achava que a menina era meio “bruxa”. “Pura ignorância. Ela não sabia como lidar com essas coisas. Tinha medo, acho”, acredita. Ela tinha 3 anos quando o pai saiu de casa. Desde então, nunca mais o viu.
Cheia de sonhos e planos, Isabel tentou viver uma vida normal na capital fluminense. Com 20 e poucos, se apaixonou perdidamente. “Tinha fantasias de garota, queria casar”, conta. Foi viver sua fantasia dividindo o mesmo teto com o amado. Um dia, durante uma briga, ele anunciou que a deixaria. Para quem havia varrido rejeições para debaixo do tapete muitas vezes durante a vida, o baque foi grande demais. Sem fazer alarde, decidiu que essa vida já não era mais para ela. “Foi decepção amorosa”, diz pouco, ainda assim dizendo muito.
O namorado a acompanhou no hospital e a briga virou fumaça. Pouco depois, Isabel engravidou dele e a vida ganhou outro sentido. Ou, pelo menos, novas prioridades. As preocupações com a gravidez lhe salvaram de se afundar nas próprias tristezas. Agora, tratava-se da vida de outra pessoa. Nos anos 1970, com um bebê de três meses no colo, veio para Brasília com o marido, engenheiro da Telebrasília na época. A vida lhe dava mais uma chance de recomeço.
Hora de se despedir
Isabel passou 30 anos ao lado do homem que lhe causou aquela decepção amorosa e teve três filhos com ele. Nessas três décadas, oscilou entre altos e baixos. Lutou para se curar da tristeza.  Recém-chegada a Brasília e ainda engasgada com aquela tentativa de suicídio, procurou um serviço de atendimento psicológico via telefone. Precisava desabafar. Queria dividir sua dor com alguém. “Só que eu queria um serviço que fosse anônimo, que eu pudesse falar sem me identificar. E a pessoa queria saber tudo da minha vida.”
Passou a devorar livros e temas diversos. Se matriculou em “tudo o que era cursinho”. Tomou antidepressivos, fez yôga, academia e dança. Largou os dois primeiros, se apegou aos últimos – principalmente quando o forró é o ritmo que embala o salão. “A dança é o melhor medicamento que existe”, tem certeza. Criou os três filhos. Um dia, furiosa com o marido, quis jogar o carro para fora da pista. Lembrou-se das crianças no banco de trás. Que alívio. 
Devagar, a tristeza foi dando lugar talvez não à alegria, mas à vida, simplesmente. Um dia, num programa de televisão, viu uma moça contar que havia tentado acabar com a própria vida diversas vezes até se tornar voluntária do Centro de Valorização da Vida. Trata-se de uma associação sem fins lucrativos que, desde 1962, faz atendimento voluntário e gratuito a pessoas que precisam de apoio emocional via telefone, muitas vezes à beira de, literalmente, se jogar de uma ponte. O atendimento é sigiloso.
“Essa é a minha história”, pensou Isabel, ouvindo o depoimento da moça pela TV. Se lembrou de quando quis desabafar pelo telefone, mas não encontrou nada que lhe ajudasse no acolhimento do anonimato. Descobriu que o CVV tinha uma filial na capital e se matriculou. Levou com ela uma das filhas. Juntas, fizeram o curso de formação de voluntários, uma jornada de 10 semanas pela psicologia humana e uma baita lição de como ouvir ao outro. Parece um exercício simples, mas quase ninguém pratica no dia a dia.
Em 2016, Isabel completa 28 anos como voluntária do CVV. É a segunda mais antiga do quadro de 40 pessoas que se revezam em turnos de quatro horas, dedicadas a amparar quem precisa de um ombro. A sede da associação hoje fica num prédio comercial na Asa Norte. Os atendimentos via telefone – o CVV opera no número 141, 24 horas por dia – são feitos em uma salinha pequena, com não mais que um sofá e um telefone. É o suficiente para salvar vidas.
A primeira coisa que eu faço é convidar a pessoa a conversar. O que a levou até ali? Costumo comparar as pessoas a uma panela de pressão. Uma vez que você puxa a válvula e tira a pressão, acabou. Ela não corre mais o risco de explodir. Desabafar funciona do mesmo jeito."
Isabel Montón
Segundo Isabel, atendimentos a suicidas não são assim tão frequentes no CVV. Há quem dê plantões há anos sem nunca ter atendido um único caso. Ironia ou desenho do destino, ela encontrou alguns pelo caminho. “Costumo dizer que a gente atrai para si aquilo de que estamos precisando. Como a questão do suicídio ainda não era bem resolvida dentro de mim, eu acabei lidando mais do que a média com esses casos”, comenta.
Certa vez, atendeu um jovem de 20 e poucos anos que havia ficado com metade do corpo paralisado depois de um acidente de carro. O único tratamento possível era nos EUA e sua família não tinha condições de bancar. Ele havia acabado de entrar na faculdade. Rindo, contava sobre como era ruim assistir aos colegas saindo para festas, se entregando a suas primeiras paixões, sentado numa cadeira de rodas.
“Eu conversei com ele e sugeri que procurasse uma pessoa querida. Chorando, ele me agradeceu, e contou que estava decidido de que eu seria a última pessoa a quem ele contaria a sua história. Ele tinha uma arma ao seu lado, mas daria uma chance ao meu conselho. Foi a única vez que um atendimento me desestabilizou”, conta Isabel.
Atendimento após atendimento, Isabel ficou mais forte. Se curou curando outras pessoas. Mas ela prefere dar outro nome ao processo. “É um crescimento. Uma evolução. O CVV me transformou muito”.
Há oito anos, Isabel rompeu com o primeiro marido. Era hora de deixar o passado no passado. “Não foi muito fácil, não”, ela conta. A vida tratou de lhe ser gentil: hoje, ela vive nova fantasia de menina, desa vez em águas mais calmas. Há sete anos, disse “sim” de novo.
O novo marido sabe tudo sobre sua história. Se ela tivesse conseguido o que queria naquele dia, aos 23 anos, jamais o teria encontrado. Ele agradece, ela também. “Hoje isso é página virada. Passou”, sorri.
O CVV:O Centro de Valorização da Vida presta apoio emocional gratuitamente 24 horas por dia, de forma anônima e sigilosa. Os atendimentos podem ser feitos por telefone, e-mail, Skype, chat, ou pessoalmente. Em Brasília, o posto de atendimento funciona no Setor de Rádio e TV Norte Quadra 702, Edifício Brasília Rádio Center, sobreloja 5. O atendimento é feito pelo 141. Site:http://www.cvv.org.br/
Fonte:http://www.metropoles.com/vida-e-estilo/comportamento/a-vida-depois-de-sobreviver-a-uma-tentativa-de-suicidio

Como lidar com a depressão no ambiente de trabalho


Saiba como a questão pode impactar o trabalho e quando é preciso comunicar os superiores

ARTIGO DE ESPECIALISTA

Dr. Ivan Mario Braun 
PSIQUIATRIA - CRM 57449/SP
ESPECIALISTA MINHA VIDA

O que é Transtorno Bipolar?

Esse vídeo é pra explicar o que é Transtorno bipolar. Eu resolvi gravar um vídeo explicando, pois depois de várias pesquisas no youtube percebi que tem muitos vídeos equivocados sobre o assunto. Então criei um canal para falar de Transtorno bipolar, esse é o 1º vídeo, postarei periodicamente sobre o tema.

Assista ao vídeo abaixo, se gostou se escreva no canal para acompanhar a série de vídeos sobre Transtorno Bipolar. Abraços




O que penso da bipolaridade

Depoimento: Maria Cristina

" Para toda a perda existe ganho, convivo há muitos anos com minha bipolaridade, aprendi que não posso esquecer do lítio, jamais.
Desde então posso ter uma vida normal, claro que um bipolar pode e deve ter uma vida normal, basta para isto controlar seus remédios, nada diferente de um hipertenso ou diabético bem se for inúmeras aqui vai faltar espaço para doenças que precisam ser controladas.
A diferença é que nós os bipolares podemos sim com uma vida normal, o que não dá para nós é uma vida comum.
Não sei se alguns vão concordar comigo, mas sinto, mesmo completamente equilibrada dosando meu lítio no sangue, mais força de vontade viva mais intensamente, penso mais rápido que meus funcionarios, e colegas tudo com um prazer muito grande e um empenho, disciplina. Penso que a bipolaridade não foi nem de longe algo ruim DEPOIS DE TRATADA devidamente."

Maria Cristina

Um pouco da minha história


Saudações a todos

Meu nome é Juracy e lendo as histórias postados nesse blog, me veio o desejo de compartilhar com os amigos meus pedações ou cacos que estou ainda recolhendo, a despeito de ter sido diagnosticado há mais de cinco anos com o transtorno.

Negro, de família muito simples, pais iletrados, fui educado na periferia de Vitória, no Estado do Espírito Santo, comecei a carreira profissional limpando prateleiras em supermercados, quando aos 17 anos decidi me casar. Sem concluir o ensino médio, vivendo uma vida bastante difícil, resolvi retomar os estudos. 

Com a ajuda de amigos nos empréstimos de livros e compreensão de algumas matérias, consegui concluir o segundo grau, como era chamado à época. Visando melhorar a renda, submeti ao concurso público para soldado da polícia militar, quando fui aprovado e exerci a atividade policial por dois anos, pois percebi que caso continuasse os estudos poderia alcançar outras possibilidades.

Em 1990 fui aprovado no concurso da Justiça Federal do Estado do Rio de Janeiro, onde trabalhei por 04 anos e depois fui removido para a Justiça Federal do Espírito Santo.

Em 1994, ingressei na Universidade Federal do Espírito Santo, no curso de direito, tendo concluído em 1999. 

Casado, com três filhos, bem sucedido no serviço público, pois passei a exercer cargos importantes na Justiça Federal, como supervisor e depois diretor de secretaria do juízo, retornei a me dedicar novamente aos estudos.

Em 2004 fui aprovado em quarto lugar no concurso de Juiz de Direito do Estado de Rondônia. No mesmo ano, fui aprovado no concurso de Juiz de Direito do Estado do Espírito Santo. 

Iniciei a judicatura no interior do Estado, bem como na docência do ensino superior. Após 4 anos de muito trabalho e dedicação, já que a função se tornou mais importante do que minha própria vida e minha família, começou a surgiu um comportamento de descontrole. Começou pela perda do sono, depois veio a hipersexualidade, e por fim a compulsividade para compras. Comecei a me envolver com qualquer tipo de pessoa. A mesma comarca, onde os jurisdicionados me considerava um magistrado brilhante, começaram a me recomendar a corregedoria, pois não havia limites no meu comportamento. Perdi completamente o controle social e a percepção da realidade. Perdi minha identidade. A situação ficou tão grave que não resisti a uma tentativa de suicídio. Quando notei que havia alguma coisa de errado, procurei uma psicóloga. Foram vários meses tentando descobrir o que estava acontecendo. Os medicamentos receitados somente pioravam a situação e em 2009 fui diagnosticado com o TAB. O mundo caiu pra mim.

Recusei aceitar o diagnóstico, mas a desorganização social era tamanha que não havia margem de dúvida sobre a veracidade do laudo. Iniciei o tratamento, mas já era tarde, o lastro condutal impedia continuar a atividade jurisdicional.

Foi inevitável a apuração de processo administrativo disciplinar. Antes de sua conclusão, fui aposentado por invalidez, em decorrência do transtorno.

Me submeti ao tratamento, com muita responsabilidade, pois o desarranjo social foi muito grave.Consegui me estabilizar um ano depois do diagnóstico.

Após o período de estabilização, fiz duas especialização e um mestrado.

Fui ordenado a uma função eclesiástica (a fé me fez sobreviver a tudo isso).

Nesse período fui reparando os danos passíveis de acertos, como as dívidas contraídas. Mas não escapei do preconceito.

Luto com o estigma, o Tribunal de Justiça não reconhece que uma pessoa em meio a um surto psicótico é capaz de fazer tantas ocorrências sem inibição social.

Estou estabilizado há 5 anos, mas ainda não consigo lidar com os conflitos internos da tristeza, da angústia e da dor.

Apesar de ter preservada minha capacidade laborativa, não posso trabalhar por força de incompreensão sobre a doença; Meus pares não aceitam que o transtorno é capaz de trazer tantos danos sociais a seu portador. e se recusam a debater o assunto, enquanto luto para provar o que aconteceu à época. Fiz diversas perícias com médicos renomados no Brasil sobre o TAB.

A todo tempo, o sentimento de desistência toma conta da minha alma. Mas, no que pese a força desse sentimento, curvo-me a pensar nas outras pessoas que sofrem do mesmo dilema. Se não lutarmos, o estigma continuará sendo um fantasma invencível. 

Fui exposto na mídia, além de impor intenso sofrimento a minha família, já que os fatos não foram poupados. No entanto, ainda estou resistindo, com apoio de poucos.    

Por fim, creio que a maior superação está no fato de não precisarmos do anonimato. Temos que nos mostrar, temos um transtorno, que não reivindicamos, mas ocorreu como fato da vida, como acontece com a pessoa cardíaca, diabética etc... Precisamos nos unir em torno da informação, da aprovação do crime de "psicofobia" (preconceito a qualquer tipo de transtorno), cujo projeto de lei está em curso no senado federal.

Tenho 47 anos de idade, 30 anos de casado, três filhos, e sou bipolar. Conquanto tenho uma mente inquieta, acredito que temos o direito de sermos respeitados nas nossas diferenças, bem como de não sermos etiquetados.

Juracy Jose da Silva