Depoimento - Texto sobre como descobri que era bipolar.



Acho que faz uns 3 anos que eu descobri que sou bipolar. Tive esse diagnóstico na primeira consulta com o primeiro psiquiatra e detestei a ideia de ter de tomar remédios durante o resto da vida.
Na verdade, acabei indo ao psicólogo e ao psiquiatra justamente porque as coisas não iam bem com meu marido. Eu era uma pessoa chata e irritante. Nos programas de família tinha momentos que eu estava alegre e leve e tinha momentos em que eu fechava a cara, não falava com ninguém e ainda por cima era estúpida com as pessoas.
Antes de ir ao médico, eu não fazia ideia da bipolaridade, eu e meu marido achávamos que eu tinha dupla personalidade, porque eu mudava de uma hora para outra de humor e ia de um extremo ao outro. As pessoas simplesmente me queriam longe, porque eu as magoava e depois sentia uma culpa enorme, porque no fundo não era a minha intenção. Eu era arrogante com as pessoas e achava que era milhares de vezes melhor do que elas porque eu gostava de todos assuntos voltados às Artes, principalmente Beethoven (meu ídolo) e não tinha ninguém para conversar, porque eles não gostavam das mesmas coisas que eu. Por isso, eu acabei indo ao psiquiatra  Após a primeira entrevista o psiquiatra receitou Carbolitium. Pequei a receita, levei para casa e nunca tomei. Nesse período eu também procurei uma psicóloga, mas parei de frequentar depois de uns dois meses.
A ideia de ter que tomar remédio para me “controlar” caso contrário eu teria uma crise, me deixava muito ruim, porque me sentia incompleta, que precisava tomar algo para ficar “normal”, assim como eu tenho de usar meus óculos para a miopia.
A verdade é que por muito tempo eu não fui mais a médico algum. Passei por 6 psiquiatras e todos eles deram o diagnóstico bipolar todas as vezes em que eu eu explicava minhas atitudes. Na fase de mania, eu gastei tanto dinheiro que tive de fazer empréstimo no banco para pagar as contas. Quando meu marido descobriu (porque eu sabia que estava fazendo uma coisa errada, mas na minha cabeça, tudo ia dar certo. Iriam surgir do nada várias clientes para decorar unhas e eu conseguiria pagar tudo certinho). Mas óbvio que não foi assim que aconteceu. Fiquei endividada, meu marido sumiu com meus cartões de crédito e eu fiquei sem poder gastar um centavo. Foi um período bem difícil e então em entrei em depressão. Não tinha vontade de fazer nada, de trabalhar, de me arrumar e até gritar com meu filho de forma repentina, eu gritei.
Eu sabia que tinha de voltar ao médico e pedir auxílio, mas ainda assim, não queria. Eu podia passar sozinha pela situação.
Então, um dia eu estava escrevendo em um dos meus 6 blogs, quando de repente veio a ideia para outro blog e depois outro e mais outro. As ideias surgiram de forma tão rápida e todas as mesmo tempo, que eu não consegui escrever mais nada e fiquei literalmente tonta e, em seguida, como se um botão tivesse sido desligado, houve um vazio na minha cabeça, as ideias desapareceram e eu fiquei parada como um “zumbi”. Era como se eu estivesse no meio de um furacão e de repente estivesse no lugar mais calmo do planeta.
Isso sim me assustou e novamente eu saí a procura de um psiquiatra pra voltar a tomar os remédios.
Hoje eu tomo Carbolitium e Bup e me sinto uma pessoa “normal”, apesar de ter algumas recaídas, mas nada comparado às crises de antes.
Este é o meu relato e espero ter ajudado de alguma forma.

Michele

16 comentários:

Luciana Souza disse...

Oi Michele
Se esse for o seu nome. Eu passei por 3 psiquiatras para aceitar o diagnóstico. É sempre a mesma história, só mudam os personagens.
Bjos.
http://ashistoriasdeumabipolar.blogspot.com.br

Anna rica em humores disse...

Realmente ajuda muito, pois vejo que vc estabilizou mais depois do Litio...eu ainda não consegui isso, mas me anima muito em saber...
Beijos
Anna

Michele Irigaray disse...

Oi Luciana, obrigada por responder. Sei que não é grande coisa, mas é bom quando, no mínimo, os psiquiatras entram em consenso. Essa mistureba de medicamentos é que mata a pessoa.
Abraços, Michele

Michele Irigaray disse...

Oi Anna, aprendi recentemente que levamos algum tempo até entrar em sintonia com a medicação. Depois disso, a vida parece ter sentido novamente. Beijos. Michele

Anônimo disse...

Michele, foi muito bom ver esse seu depoimento.Sou casado a 21 anos e desde que conheci minha esposa achei ela anormal...Mas o tempo foi passando e confesso que ainda amo ela.Se nao fosse por isso ja teria me separado, mas hj estou cansado de tanto que ela ja aprontou e me humilhou , me fez passar vergonha.Depois de tudo que ela fzia , ela vinha chorava e jurava nunca mais fazer .Mas repetia tudo. Minha filha saiu de casa e foi de vez morar com o namorado porque nao aguentou ela. E eu, eu ainda to sobrevivendo.Mas penso muito em me separar dela. Nada que eu faço ta bom pra ela.Ela reclama de tudo a todo tempo.Tem momentos muitos pequeno que ela ta bem ate, mas pouquissimos momentos...Agora ela mal sorri.Fica o tempo todo deitada, e quando levanta so pra reclamar , e chingar.Eu sinceramente nao sei mais o que fazer.As vezes que ela foi no psiquiatra era tratada como depressao.Tomava fluxetina, mas por tudo que ela faz e fez , acho que ela é bipolar.Ou entao ela é ruim mesmo.Nao vale nada.Nao quero o mal dela , apesar das magoas que tenho por tudo que ela ja fez.Mas penso mesmo em me separar e ter paz.Coisa que nunca tive nesses 21 anos com ela.Alguem me ajudeee....

Danilo Velloso disse...

Olá,

sou um namorado ou ex namorado de uma bipolar, isso não importa, o que me importa é que ela esteja bem. Lendo tudo aqui, vejo que a convivência é dificil, mas ha esperança. Neste momento ela esta em crise, afastada e questionando tudo, isso porque a uma semana atras estava indo tudo ótimo. Enfim, procuro a compreender, ela não é uma má pessoa. Caso ela retorne a falar (ja teve varias idas e vindas, diz nunca mais vou falar, mas depois vem conversar). A minha duvida é quanto ao tratamento, como ajudar, como posso apoiar ela a ter uma vida normal. Gosto muito dela e quero que ela seja feliz comigo ou sem mim.

Danilo Velloso disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fabbão, Coveiro de Si Mesmo disse...

amei seu texto, direto, sincero, real!
vou deixar o endereço do meu blog pra outras pessoas visitarem!
http://coveirobipolarmoribundo.blogspot.com.br


quanto ao litio, pra mim foi a melhor coisa que tomei!

Fabbão, Coveiro de Si Mesmo disse...

litio foi a melhor droga pra me estabilzar meeeeeeesmo!

http://coveirobipolarmoribundo.blogspot.com.br/?m=1
 

Fabbão, Coveiro de Si Mesmo disse...

amei seu texto, direto, sincero, real!
vou deixar o endereço do meu blog pra outras pessoas visitarem!
http://coveirobipolarmoribundo.blogspot.com.br


quanto ao litio, pra mim foi a melhor coisa que tomei!

Anônimo disse...

Um depoimento sincero http://youtu.be/jh3CkLRrzE8

alciele disse...

Oi Michele desejo tudo de bom para você,sei que enfrentar o bipolar não é fácil, é doloroso e controverso pelo menos é assim que eu me sinto,pois sou bipolar há sete anos e me vejo perdida muitas vezes sem saber quem eu sou realmente.Faço tratamento desde que fui diagnosticada mas ainda tem sido muito difícil lidar com esse mal visto que mudou a minha rotina totalmente,não tenho ânimo para fazer nada..,o que tem me dado muita força é a fé q eu tenho no meu Deus Jeová e ele promete Michele que em breve as doenças não existirão mais sabia?Se você tem uma bíblia note que mensagem maravilhosa no texto de Isaías 33:24,é muito animadora e a oração também me fortalece bastante...derramo toda a minha angústia para jeová que é o nome que a Bíblia usa para Deus e ele sempre me dá a paz que eu preciso.Felicidades e sucesso.beijo querida.

Anônimo disse...

Olá à todos gostaria d deixar minha contribuição...sou bipolar já faço acompanhamento há 8 anos, tenho 32 nos, e assim minha vida mudou completamente, tive poucas crises convivo com mais duas pessoas bipolares, mãe e irmã e não é fácil, mas tbm não é impossível! Quero alertá-los que a medicação+terapias aliadas com uma boa alimentação e uma atividade física ajudam o paciente viver bem. Percebo que o preconceito existe sim, é claro, mas a partir do momento que vc se aceita como tal, explica o que é o transtorno a sociedade te respeita e te acolhe, agora se vc não se aceita e não faz o tratamento direito complica tudo, sofre família, e a família é parte fundamental do tratamento...se não fosse meus pais e todos meus parentes que mesmo em crise sempre me trataram com muito amor com certeza eu não estaria aqui p contar um pouco d minha história. Faço tratamento pelo CAPS Centro d Atendimento Psicosocial e os remédios são gratuitos tenho.
Por isso amigos que não pedimos p adoecer, mas sei como é desesperador cuidar ou conviver com um bipolar...imagine três! Incentive, pesquise sempre sobre o transtorno e apoie, ajude é nessas horas que sabemos quem realmente nos ama,,,o transtorno bipolar nem sempre é facil d diagnosticar as vezes confundi-se com depressão e até se chegar ao tratamento correto a pessoa sofre d mais acontecendo até tragédias.
Espero que ajudei um pouco c meu relato!

Junior Maradona disse...

Luciana imagina só eu que sou professor de Educação Física, coordeno 25 profissionais, 3 empresas no ramo de qualidade de vida e tenho que me acostumar com essa situação de medicamento diario!
Vou passar uma barra ter que parar de tomar minha cervejinha!

Carol Silva disse...

Bom dia..

Meu maior sofrimento é não poder beber

Anônimo disse...

OLá, em 2012 um psiquiatra disse que sou bipolar e iniciei um tratamento que foi horrível, a medicação me deixava sem vontade pra nada. Lembrando que eu não aceitei aquele diagnóstico, mas fui levando o tratamento que só me deixou pior. Tenho 34 anos e sou ligada no 220, pratico exercícios diariamente e isso nunca é como um vício, seja uma caminhada longa, etc.No caso da doença, eu achava que ser bipolar é aquele que muda de humor, mas eu sou assim< porém só em casa, na rotina a dois ou mais,na Universidade sou bem comunicativa, estava sempre sorrindo com todos que conheço,por isso discordava do médico.
No início deste ano resolvi ir o psiquiatra,esse é o 4º depois do diagnóstico, o que me fez olhar pra essa doença com olhos diferentes, foi um dia quando estava lendo uma entrevista da atriz Cássia Kiss, depois de eu ler tudo, refleti e chorei muito, doeu muito, mas vi nas palavras da Cássia, eu e assim aceitei e decidi tratar.
Hoje eu tomo Torval CR 300mg , aprendendo a me amar mais mesmo que seja com medicação.